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Boston

Biblioteca Médica

The Fenway

CIÊNCIA OCULTA

EM

MEDICINA

POR

FRANZ HARTMANN, M.D.

(Todos os direitos reservados.)

SOCIEDADE TEOSÓFICA DE PUBLICAÇÕES

7, Duke Street, Adelphi, Londres, W.C.

"The Path", 144, Madison Avenue, Nova York, E.U.A. Escritório de "The Theosophist", Adyar, Madras, Índia.

1893.

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DEDICADO A TODO ESTUDANTE DE MEDICINA

"Aquilo que é considerado por uma geração como o ápice do conhecimento humano é frequentemente tido como um absurdo pela seguinte, e aquilo que é visto como superstição em um século pode formar a base da ciência para o século vindouro." (Teofrasto Paracelso.)

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PREFÁCIO.

"Nada designa tão bem o caráter de um povo quanto aquilo que ele acha ridículo." — Goethe.

É um fato não inteiramente desconhecido daqueles que estudaram a natureza, que existe uma certa lei de periodicidade, segundo a qual as formas desaparecem e as verdades que elas continham reaparecem novamente, encarnadas em novas formas.

As estações vão e vêm, as civilizações passam e voltam a crescer, exibindo as mesmas características possuídas pelas anteriores; as ciências se perdem e são redescobertas, e a ciência da medicina não constitui exceção a essa regra geral.

Muitos tesouros valiosos do passado foram sepultados no esquecimento; muitas ideias que brilharam como estrelas luminosas no céu da medicina antiga desapareceram durante a revolução do pensamento e começam a se elevar novamente no horizonte mental, onde são batizadas com novos nomes e contempladas com surpresa como algo que se supunha nunca ter existido antes.

Eras de espiritualidade precederam a era passada de materialidade, e outras épocas de pensamento espiritual mais elevado certamente se seguirão.

Durante essas eras precedentes, muitas verdades eminentemente valiosas eram conhecidas, que foram perdidas de vista nos tempos modernos, e embora a ciência popular do presente, que lida com as aparências externas da natureza física, seja indubitavelmente maior do que a dos tempos anteriores, um estudo dos livros antigos sobre medicina mostra que os sábios de outrora conheciam mais das leis fundamentais da natureza do que o que é admitido hoje.

Há uma grande ciência e uma pequena ciência; uma que voa ao redor dos pináculos do templo da sabedoria, outra que penetra no santuário; ambas estão certas em seus lugares; mas uma é superficial e popular, a outra profunda e misteriosa; uma faz muito clamor e exibição, a outra é silenciosa e não publicamente conhecida.

Há cientistas progressistas e há cientistas conservadores.

Há aqueles cujo gênio os leva adiante e que ousam explorar novos reinos do conhecimento; enquanto

PREFÁCIO.

a classe conservadora meramente coleta o que foi produzido por outros.

Um explorador deve ser um cientista; mas nem todo cientista é um explorador.

A maioria de nossas escolas modernas de medicina não produz nada de novo, mas meramente negocia com mercadorias em cuja produção não teve participação.

Elas se assemelham à loja de um bufarinheiro que não conhece nada além das mercadorias que estão em sua loja.

As prateleiras estão cheias de teorias populares, crenças da moda, sistemas patenteados, e ocasionalmente encontramos um artigo antigo que saiu de moda, rotulado com um novo nome e anunciado como algo novo, e o proprietário elogia voluvelmente suas mercadorias, sendo tão orgulhoso delas como se ele mesmo as tivesse feito, enquanto ignora ou denuncia tudo o que não se encontra em sua loja.

Mas o verdadeiro amante da verdade não se contenta em viver dos frutos que cresceram nos jardins de outros; ele reúne os materiais que encontra, não meramente com o propósito de desfrutar de sua posse, mas com o propósito de usá-los como degraus para ascender mais perto da fonte da verdade eterna.

A presente obra é uma tentativa de chamar a atenção daqueles que seguem a profissão da medicina para este aspecto superior da ciência e para certos tesouros esquecidos do passado, dos quais uma abundância pode ser encontrada nas obras de Teofrasto Paracelso.

Muitas das ideias aqui apresentadas, por mais antigas que sejam, parecerão novas e estranhas; pois cada um está familiarizado apenas com aquilo que está dentro de seu próprio horizonte mental e que é capaz de apreender.

O assunto tratado é tão grandioso, ilimitado e sublime, que torna impossível, em uma obra limitada deste tipo, abordá-lo de maneira exaustiva; mas esperamos que o pouco que foi reunido nas páginas seguintes seja suficiente para indicar o caminho para a aquisição dessa ciência mística superior e para uma melhor compreensão da verdadeira constituição do homem.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.

Definição do termo "doença". Lei e ordem.

Harmonia e discórdias.

Obediência.

O homem, um ser complexo.

Saúde.

I.

A CONSTITUIÇÃO DO HOMEM.

Milagres na natureza.

Desenvolvimento.

Os sete princípios na constituição do homem.

A anatomia do "homem interior". Medicina e religião.

Teofrasto Paracelso.

Mistérios.

Ciência mística e falso misticismo.

Os poderes da alma.

II. OS QUATRO PILARES DA MEDICINA.

Requisitos para a prática da medicina.

— Filosofia.

Ciências naturais.

O mundo fenomênico.

O templo interior.

Verdade.

Os quatro reinos e os quatro elementos.

— Astronomia.

Mente.

Estados de consciência.

"Estrelas" e constelações.

Os Tattwas.

Sol e Lua.

Pensar e o pensador.

— Alquimia.

O que é alquimia. Charlatães e impostores.

As Três Substâncias.

O poder criativo.

Alquimia Terrestre.

Alquimia Celeste.

A Alquimia do plano astral.

— A Virtude do Médico.

O verdadeiro médico.

Ciência médica e sabedoria médica.

. . . . . . . .

III.

AS CINCO CAUSAS DA DOENÇA.

Sal, Enxofre e Mercúrio.

— O Ens astrale.

O "éter". Influências invisíveis.

Micróbios.

O plano astral.

Doenças mentais.

— Ens veneni.

Venenos e impurezas.

Desarmonias, simpatias e antipatias na química.

Um romance químico.

Impureza sexual.

Intercurso promíscuo.

Nutrimento.

Correspondências entre poderes espirituais e forças físicas.

— Ens das naturezas.

O macrocosmo e o microcosmo.

Dois seres em um só homem.

Natureza terrestre e celeste.

Geração e encarnação.

Hereditariedade.

Relação entre os órgãos internos.

— Ens spirituale.

Consciência.

Espírito e alma.

O corpo de pensamento.

Reencarnação.

Vontade.

Imaginação.

Arcanos.

Memória.

A luz astral.

— Ens Dei.

Deus Karma.

Ciência e arte.

. .  ...  . .

SUMÁRIO.

PÁG.

IV. AS CINCO CLASSES DE MÉDICOS.

Cinco classes.

— Naturales.

Terapêuticos.

Terra.

Água.

Ar.

Fogo.

Éter; o elemento uno.

— Specifici.

Empirismo.

A química da vida.

Princípios de luz e cor.

O homem astral.

— Characterales.

Emoções.

Hipnotismo.

Sugestão.

Poderes espirituais.

— Spirituales.

Magia.

— Fideles.

O poder da fé.

. .  . .  . .  . .

V. A MEDICINA DO FUTURO.

Charlatanismo antigo e moderno.

Ciência e sabedoria.

Espiritualidade e substancialidade.

Desenvolvimento.

Autocontrole.

Realismo e idealismo.

A realização do ideal.

O médico do futuro.

Autoconhecimento.

A verdadeira vida.

O despertar da alma.

Fenômenos e númenos.

A ciência superior.

Evolução material e espiritual.

Intelectualidade e espiritualidade.

Periodicidade.

Movimento circular e progresso espiral.

O autorreconhecimento da verdade.

..  ..

INTRODUÇÃO.

" Há dois tipos de conhecimento.

Há uma ciência médica e há uma sabedoria médica.

Ao homem animal pertence a compreensão animal; mas o entendimento dos mistérios divinos pertence ao espírito de Deus nele." (Teofrasto Paracelso, "De Fundamento Sapientiae.")

Muito se tem escrito nos livros modernos de patologia sobre a dificuldade de definir a palavra "doença". O dicionário a chama de "falta ou ausência de conforto, dor, mal-estar, aflição, provação, transtorno", etc., mas contra qualquer uma dessas definições podem ser levantadas objeções.

James Paget diz: "Conforto e doença, bem e mal, e todos os seus sinônimos são termos relativos, dos quais nenhum pode ser fixado incondicionalmente."

Se  pudesse  ser  fixado  um  padrão  de  saúde,  todos  os  desvios  dele  poderiam  ser  chamados  de  doenças ;  mas  uma  característica  principal  dos  corpos  vivos  não  é  a  fixidez,  mas  a  variação  por  autoajuste  a  uma  ampla  gama  de  circunstâncias  variáveis,  e  entre  tais  autoajustes  não  é  praticável  traçar  uma  linha  separando  aqueles  que  podem  razoavelmente  ser  chamados  de  saudáveis  daqueles  que  podem  igualmente  ser  chamados  de  doença."

A  isso  a  ciência  oculta  responde  que  tal  padrão  de  saúde  existe  para  nós  assim  que  reconhecemos  a  unidade  e  supremacia  da  lei ;  que  os  resultados  da  obediência  à  lei  são  harmonia  e  saúde,  e  os  resultados  da  desobediência  são  chamados  de  discórdias  ou  doenças."

Shakespeare  diz : —

"  Os  próprios  céus,  os  planetas  e  este  centro  Observam  grau,  prioridade  e  lugar,  Insistência,  curso,  proporção,  estação,  forma,  Ofício,  e  costume,  em  toda  linha  de  ordem."

— (Troilus  e  Cressida,  i.  3.)

Se  considerarmos  a  ordem,  que  "  é  a  primeira  lei  do  Céu,  "  como  a  criação  do  autoajuste  de  circunstâncias  surgidas  acidentalmente,  deixando  de  considerar  a  Unidade  fundamental  do  Todo  e  seu  único  propósito,  então  provavelmente  encontraríamos  várias  leis  de  ordem  no  universo,  sendo  essencialmente  diferentes  umas  das  outras ;  e  seria  difícil  saber  qual  dessas  leis  seria  melhor  seguir ;  mas  se  reconhecermos  na  ordem  que  rege  todas  as  coisas  uma  manifestação  de  uma  lei  eterna  de  ordem

INTRODUÇÃO.

e  harmonia,  a  função  da  Sabedoria  Suprema  agindo  na  natureza,  mas  não  sendo  o  produto  da  natureza,  restará  para  nós  apenas  conhecer  essa  lei  suprema  e  obedecê-la.  O  universo  é  apenas  um,  e  é  regido  por  apenas  uma  fonte  de  todas  as  leis ;  mas  há  muitas  unidades  dentro  da  constituição  dessa  grande  Unidade ;  elas  constituem  tantos  eus  dentro  do  Eu,  cujos  interesses  separados  não  são  idênticos  aos  do  todo,  e  portanto  a  ordem  obedecida  por  esses  eus  temporários  não  é  a  mesma  que  a  do  todo  eterno.

Assim,  a  luta  pela  existência,  longe  de  ser  a  causa  da  ordem  observável  no  mundo,  é  de  fato  a  causa  da  desordem  existente  nele.

Se o homem, como seu protótipo divino, fosse uma unidade perfeita, uma manifestação de vontade e pensamento identificados e unos, haveria apenas uma lei a obedecer: a lei de sua natureza divina; ele estaria para sempre em harmonia consigo mesmo; não haveria elementos desarmônicos em sua natureza, buscando criar uma ordem própria e, assim, causando discórdias e doenças; mas o homem é um ser composto, há muitos elementos em sua natureza, cada um representando, até certo ponto, uma forma independente de vontade, e quanto mais uma dessas modificações da vontade consegue se afastar da ordem que constitui o todo, e promulgar, seja inteligentemente ou instintivamente, uma vontade própria, maior será a desarmonia que ela causa dentro de todo o organismo e maior será a doença.* "Uma casa dividida contra si mesma cairá." A doença é a desarmonia que se segue à desobediência à lei; a restauração consiste em restabelecer a harmonia mediante o retorno à obediência à lei de ordem que governa o todo.

A chave para a cura das doenças está, portanto, na compreensão da lei fundamental que governa a natureza do homem, e para esse fim é necessário que um sistema racional de medicina conheça a constituição do homem; não apenas a de seu corpo físico, que é meramente a parte inferior da casa onde ele habita; mas toda a constituição física, astral e mental desse ser chamado "Homem", que ainda é o maior mistério para a ciência, e do qual pouco mais se conhece além da anatomia, das funções fisiológicas e da composição química do

* Jacob Boehme diz: "Se uma essência (uma forma de substância-vontade) entra em outra cuja natureza é de caráter diferente, cria-se um antagonismo e segue-se uma luta pela supremacia."

Uma qualidade perturba a outra, o que em última instância causa a morte da forma; pois tudo o que não está em harmonia não pode viver eternamente; mas tudo o que está em perfeita harmonia não possui elementos de destruição em si mesmo; pois em tal organismo todos os elementos se amam mutuamente, e o amor é o criador e preservador da vida." — "Mysterium magnum," xxi.

5.

INTRODUÇÃO.

órgãos e substâncias materiais que compõem sua forma corpórea é conhecido ou ensinado por nossas academias modernas.

Grande progresso foi feito pela ciência moderna na investigação de todos os detalhes menores da casca que o homem ocupa durante sua vida neste planeta; mas no que diz respeito ao habitante dessa casa, o homem interior, que não é nem inteiramente material nem inteiramente espiritual, os antigos sábios sabiam mais sobre sua verdadeira natureza do que jamais se sonha em nossas escolas médicas, e será sem dúvida proveitoso examinar suas visões.

Além disso, se o corpo exterior do homem é, como ensinam, apenas a expressão externa das qualidades e funções de um organismo humano mais interior e invisível; então parece que muitas doenças corporais, tais como não são causadas por lesões físicas diretas, são os resultados de desordens existentes dentro desse organismo interior, e como todo verdadeiro médico deve buscar conhecer as causas das doenças, e não meramente destruir seus efeitos externos, tal conhecimento do "corpo causal" do homem, cuja imagem visível é sua "forma fenomênica", pode abrir um novo campo para a patologia e a terapêutica, do qual uma rica colheita pode ser reunida em benefício da humanidade.

1. A CONSTITUIÇÃO DO HOMEM.

DESDE tempos imemoriais os sábios têm ensinado que nunca conheceremos a verdade imortal, se não a descobrirmos dentro de nós mesmos.

A experiência há muito tempo corroborou essa teoria, pois apesar de todo o progresso nas pesquisas científicas sobre a natureza do Homem, e que foram conduzidas por meio de investigações no reino externo da natureza, a real constituição do Homem e aquilo que constitui seu ser essencial ainda não foi descoberto.

Sabemos que do óvulo se desenvolve o feto, do feto a criança, da criança o corpo do homem; conhecemos a ordem em que esses processos ocorrem; mas parece que nada sabemos sobre os poderes que os produzem.

Um truque alquímico da natureza como fazer um homem crescer a partir de uma célula na qual nenhum homem está contido pareceria absurdo, incrível e milagroso, e não seria acreditado por ninguém, se não fosse um fato bem conhecido, e por ser de ocorrência diária deixou de parecer surpreendente, de modo que agora parece estranho se alguém se admira como tal coisa é possível.

Home diz: "Por um processo silencioso, invisível e misterioso, a mais bela flor do jardim brota de uma pequena e insignificante semente." Um processo misterioso semelhante ocorre na evolução do corpo humano.

Todos esses processos são evidentemente os efeitos da ação de uma causa adequada para produzi-los; negar isso seria o mesmo que afirmar o absurdo evidente por si mesmo de que algo pudesse crescer do nada, e a lei da lógica ademais torna claro que, embora uma causa física possa produzir um efeito físico, um corpo vivo só pode ser produzido por um poder vivo, um organismo intelectual por um ser inteligente.

Quer o corpo animal do homem tenha evoluído do reino animal inferior, ou quer certos animais sejam os produtos de uma perversão e degradação da natureza do homem, isso não nos concerne no presente.

O que sabemos é que nenhuma vida e inteligência pode se manifestar em uma forma a menos que esses poderes estejam contidos nela, e também sabemos que a vida não pode ser criada pela morte nem a inteligência pode ser criada por aquilo que não tem inteligência.

Mas se a ciência popular confessa nada saber sobre a origem da manifestação da vida, nada sobre o que é vagamente chamado de "alma", nada sobre a natureza e origem da mente (cujas funções são necessárias para permitir que o cérebro investigue tais coisas), nada sobre o espírito e nada sobre a constituição superior do homem, cuja expressão externa e símbolo é seu corpo físico; não será inadequado recorrer a outras fontes para obter informação e ouvir o que os antigos sábios ensinaram sobre os princípios que compõem a constituição do homem.

O primeiro requisito de um sistema racional e perfeito de medicina é um conhecimento completo de toda a constituição do homem; do todo, e não meramente de uma parte de sua natureza.

Os antigos sábios indianos comparavam o homem a uma flor de lótus, cujo lar é a água (o mundo), cujas raízes extraem seu alimento da terra (natureza material), enquanto ergue a cabeça para a luz (o reino espiritual), da qual recebe o poder de desdobrar as potências latentes em sua constituição.

Muito já foi dito na literatura teosófica sobre a constituição séptupla do homem; mas, por uma questão de completude, vamos delineá-la novamente.

i. Rupa.

O corpo físico, o veículo de todos os outros "princípios" durante a vida.

2. Prana.

Vida ou princípio vital.

3. Linga Sharira.

O corpo astral.

A imagem etérea ou contraparte do corpo físico, o "corpo fantasma".

4. Kama rupa.

A alma animal.

A sede dos desejos e paixões animais.

Neste princípio está centrada a vida do homem animal e mortal.

5. Manas.

Mente.

Inteligência.

O elo de ligação entre o homem mortal e o imortal.

6. Buddhi.

A alma espiritual.

O veículo do espírito universal puro.

7. Atma.

Espírito.

A radiação do Absoluto.

(Para mais explicações, ver: H. P. Blavatsky, "A Chave para a Teosofia".)

Goethe diz: "Uma palavra vem muito a propósito quando falta uma concepção." Em nossa era material, o próprio significado dos termos que designam poderes e condições espirituais se perdeu e foi pervertido; supõe-se que "Deus" signifique um ser sobrenatural, não natural, exterior à Natureza; "Fé" tornou-se credulidade e crença nas opiniões alheias; "Esperança" tornou-se ganância pessoal; "Amor" é suposto ser desejo egoísta, etc., etc.

Não é, portanto, surpreendente que os termos acima sejam incompreensíveis para muitos ou por eles mal interpretados, pois todos representam certos estados de consciência, e ninguém pode conhecer um estado de consciência que jamais experimentou.

Aí está contido o mistério.

Os filósofos da Idade Média simbolizaram esses sete princípios pelos signos de sete "planetas", dos quais sete corpos cósmicos visíveis no céu receberam seus nomes; e se isso for compreendido, tornar-se-á imediatamente claro que aqueles que negam a divisão setenária dos planetas apenas expõem sua própria ignorância e equívocos.

Ninguém pode realmente criticar aquilo que não compreende; mas a presunção imagina-se superior a tudo e julga-se mais sábia do que todos os sábios, esquecendo que Shakespeare diz: "O tolo pensa que é sábio, mas o sábio sabe que é um tolo" (As You Like It, V, i).

Os antigos baseavam sua ciência da medicina no reconhecimento de uma causa universal, eterna, autoexistente e autoconsciente, a fonte da vida universal, enquanto a medicina popular moderna reconhece apenas o resultado de uma força cega. A medicina secreta dos antigos era, portanto, uma ciência religiosa, enquanto a medicina popular moderna não reconhece elemento religioso algum e, portanto, nenhuma verdade real.

Separar a ciência da verdade religiosa é colocá-la sobre uma base irracional; pois "religião" significa a relação que o homem mantém com sua origem divina.

Deixar de considerar a fonte da qual ele se originou é ignorar sua verdadeira natureza e relegar a medicina ao reino do mais baixo plano de sua existência; ou seja, ao de sua forma mais grosseira e material.

Essa é exatamente a posição que a medicina moderna ocupa atualmente, e nada pode elevá-la mais do que o reconhecimento da natureza superior no homem e a redescoberta da verdade divina.

Tal conhecimento superior era antigamente considerado necessário para constituir um verdadeiro médico, e por essa razão a prática da medicina estava nas mãos daqueles que eram médicos natos, sábios e santos pelo poder da verdadeira graça de Deus, enquanto entre os praticantes populares há, agora como então, muitos ignorantes e patifes, sem espiritualidade nem moralidade; pois o que o médico moderno da escola materialista exige para seu sucesso é uma certa quantidade de memorização do conteúdo de seus livros, de modo a capacitá-lo a passar em seu exame, e um talento para aproveitar-se da credulidade do povo.

Quando os antigos falavam dos "sete planetas", referiam-se a sete estados espirituais, mas não obstante substanciais, dos quais a ciência popular nada conhece além de sua manifestação externa no reino dos fenômenos.

Foi verdadeiramente dito que ninguém jamais viu sequer a terra; o que vemos é meramente uma manifestação ou aparência de um princípio espiritual chamado "terra". A verdadeira essência da "matéria" está além da concepção da mente terrestre.

* Fique claramente entendido que, ao usar o termo "religioso", não nos referimos a nenhum dos sistemas existentes de doutrinas religiosas ou formas de culto; mas ao reconhecimento espiritual da verdade divina.

Visto deste ponto de vista, os "sete planetas" na constituição do homem, bem como na constituição da natureza como um todo, representam os seguintes elementos, poderes, essências ou formas de existência: —

I. Saturno (Pvakriti). Matéria; a substância e

elemento material em todas as coisas, nos três reinos da natureza (o plano físico, astral e espiritual). É invisível e conhecido apenas por meio de sua manifestação.

É aquilo que confere fixidez e solidez; é a própria substancialidade.

II. ((         Luna, "a Lua" (Linga). O corpo "etéreo

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ou astral" do homem; o reino dos sonhos, fantasias, ilusões, no qual existe apenas o reflexo da verdadeira vida e luz do sol; representa também a especulação intelectual sem sabedoria (reconhecimento da verdade), e as formas pertencentes a esse reino são tão mutáveis quanto são as opiniões dos homens.

III.

(    •    )     Sol, "o Sol" (Prana). A vida no

plano físico e espiritual (Jiva). O centro do sistema planetário.* É aquilo que produz as manifestações ou atividade da vida em todos os planos da existência.

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Marte (Kama). O elemento passional, emocional, animal

no homem e na natureza; a sede do desejo e da vontade própria; aquilo que se manifesta como ganância, inveja, raiva, luxúria e egoísmo em todas as suas formas; mas que também é uma fonte de força.

Há muitas doenças causadas pela ação excessiva ou irregular dos poderes pertencentes

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a este reino; quando, ao se combinarem com      rj      , tornam-se

de natureza terrestre.

*  A ordem aqui adotada visa facilitar a comparação com a classificação acima; os planetas não são estacionários, mas deslocam suas posições e significações conforme os aspectos que consideramos.

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O  Mercúrio (Manas). A Mente; o princípio de inteligência que se manifesta como poder intelectual no reino da mente; dando, em sua combinação com

a pensamentos terrenos, mas em combinação com     J      cons-

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tituindo o conhecimento espiritual.

//    Júpiter (Buddhi). O princípio que se manifesta

como poder espiritual, seja para o bem ou para o mal.

Razão, intuição, fé, firmeza, reconhecimento da verdade.

J  Vênus (Atma). O princípio que, em sua pureza, manifesta-se como amor divino universal, sendo idêntico ao autoconhecimento divino.

Se unido a Q (inteligência), constitui a sabedoria.

Agindo no plano animal, produz os instintos animais, e no plano físico, causa as atrações de polaridades opostas, afinidades químicas, etc., etc.

Tudo isso é dito meramente para indicar a chave para este tipo de ciência; pois as combinações nas quais esses princípios podem entrar, e as modificações de suas manifestações sob diferentes condições, são quase inumeráveis; nem pode esta ciência espiritual ser ensinada a uma mente (Manas) não iluminada pela luz do entendimento superior (Buddhi). O estudo prático e a aplicação de qualquer coisa requer, antes de tudo, a posse do objeto, e se isso é verdade em relação aos objetos físicos, não é menos verdadeiro em relação aos princípios espirituais, cuja natureza só pode ser conhecida quando sua presença é percebida dentro da própria consciência.

Os aspectos superiores de todos esses poderes pertencem à natureza superior do homem, e aquele que deseja conhecer e aplicar essas leis na prática da medicina deve, antes de tudo, buscar desenvolver sua própria natureza superior, libertando-se dos elementos que governam sua natureza inferior; em outras palavras, deve passar do estado animal-humano para o estado humano-divino, ao qual pertence o verdadeiro médico.

Um desses médicos-adeptos foi Teofrasto Paracelso, o grande reformador da medicina do século XVI, que é propriamente considerado o pai da medicina moderna, embora seus sucessores ainda estejam longe de realizar as verdades que ele ensinou, e, no geral, talvez não alcancem uma compreensão de suas doutrinas por séculos vindouros.* Ele estava muito à frente não apenas da ciência de seus dias, mas também da de nossos dias atuais; pois embora possa ter sabido menos do que sabemos em relação às aparências fenomênicas das manifestações da vida neste planeta, ele sabia muito mais do que a nossa ciência moderna em relação às causas dessas manifestações e em relação à natureza íntima das coisas.

Ele foi e ainda é ridicularizado e menosprezado por aqueles que não foram e não são capazes de compreendê-lo; mas ele provou a verdade de suas teorias realizando curas que nem mesmo a medicina moderna, com todas as suas novas aquisições, pode realizar.* Ele foi o primeiro a abolir um sistema de charlatanismo absoluto, baseado no mero empirismo, cujos resquícios existem ainda hoje.

Ele foi odiado e perseguido pelos charlatães e impostores daqueles tempos, que faziam um negócio lucrativo, prosperando sobre a ignorância do público, como alguns fazem hoje, e as vilificações e calúnias lançadas contra ele por tais pessoas ainda inspiram as opiniões de muitos a respeito de sua pessoa, embora possamos acreditar com segurança que poucos de seus críticos jamais leram seus livros e ainda menos os compreenderam.

Numerosas biografias foram escritas sobre ele e seus hábitos pessoais, e parece que a maioria de seus críticos foi capaz de compreender que, quando ele morreu, deixou um par de calças de couro aos seus herdeiros; mas quanto à sua filosofia, esta é uma *terra incognita* que supera seu entendimento; tampouco se poderia esperar tal conhecimento das ciências secretas de alguém que nada sabe sobre os princípios fundamentais na constituição do homem.

Se Paracelso obteve seu conhecimento no Oriente, como se tem afirmado, ou se lhe foi revelado por sua própria percepção da verdade, isso não nos concerne; mas não pode haver dúvida de que ele conhecia aquela classificação setenária, pois o encontramos falando dos seguintes sete aspectos do homem: —

1. O *Corpus*, ou o corpo elementar do homem. (*Limbus*.)
2. A *Mumia*, ou o corpo etéreo; o veículo da vida. (*Evestrum*.)
3. O *Archæus*.

---

* Mesmo de seus discípulos contemporâneos, poucos foram capazes de apreender suas ideias e de levar a vida necessária para esse fim.

Ele diz: "Vinte e um de meus servos tornaram-se vítimas do carrasco (o espírito deste mundo); que Deus os ajude! Apenas alguns permaneceram comigo até agora." ("Defensio," VI.)

† Ver "The Life of Theophrastus Paracelsus," Londres, 1887.

A essência da vida.

Spiritus Mundi na Natureza e Spiritus Vitae no homem.

4. O corpo sideral; composto pelas influências das "estrelas".

5. Adech.

O homem interior ou o corpo-pensamento, feito da carne de Adão.

6. Aluech.

O corpo espiritual, feito da carne de Cristo; também chamado "o homem do novo Olimpo".

7. Spiritus.

O Espírito universal.

Dificilmente há uma página nos escritos filosóficos de Paracelso que não se refira à natureza dupla do homem, seu aspecto terrestre e celestial, e à necessidade do desenvolvimento de sua natureza superior e do entendimento (espiritual) superior.

"Acima de tudo, devemos prestar atenção ao fato de que há dois tipos de espírito no homem.

(Um originado na natureza, o outro vindo do céu.) O homem deve ser um ser humano segundo o espírito da vida (divina) e não segundo o espírito (terrestre) do Limbus.

É uma verdade que o homem (celestial) é uma imagem de Deus, tendo em si um espírito divino (vida). Em todos os outros aspectos, ele é um animal, tendo como tal um espírito animal.

Esses dois são opostos um ao outro, mas um dos dois está fadado a sucumbir.

O homem está destinado a ser um ser humano e não um animal, e se ele deve ser um ser humano, deve viver dentro do espírito da vida (imortal) e eliminar o espírito animal." ("Philosophia Occulta," Livro I., Prólogo.)

Os mistérios do templo interior da natureza não são acessíveis aos vulgares e aos profanos, porque todo ser só pode realizar aquilo que corresponde à sua própria natureza.

Para penetrar no reino da verdade, é necessária uma alma verdadeira; um animal só pode realizar o lado animal da existência.

Uma autoridade médica bem conhecida, em ocasião recente, disse:

"Paracelso, que declarou a anatomia do corpo morto inútil,* e buscou a base da vida (imortalidade) como o mais alto objetivo do conhecimento, exigiu a 'contemplação' (espiritual) antes de tudo, e assim como ele próprio chegou, dessa maneira, à construção metafísica do Archaeus, também desencadeou entre seus seguidores um misticismo selvagem e absolutamente infrutífero."!

Por essa desvinculação do misticismo, não é Paracelso o culpado, mas a incapacidade de seus seguidores, cujas mentes animais não eram capazes de serem iluminadas pelo espírito da verdade.

Sempre que a mente terrestre busca apreender o espírito da sabedoria e, não conseguindo elevar-se à percepção da verdade divina, arrasta-o para o seu próprio nível, o resultado será um misticismo selvagem e absolutamente infrutífero e tolo.

Com o mesmo direito podemos dizer que as doutrinas de Cristo encheram o mundo de superstição, causando os crimes das cruzadas, os horrores da inquisição e a intolerância sectária.

Não é culpa da verdade se ela é mal compreendida.

A vasta maioria da humanidade busca o conhecimento com o propósito de derivar de sua posse algum benefício pessoal; seja a aquisição de riqueza ou luxo, a gratificação da ambição, o desejo de exibir-se perante o

*  Isto não está correto; Paracelso diz: "A anatomia do homem é dupla.

Um aspecto consiste em dissecar o corpo, para descobrir a posição de seus ossos, músculos, veias, etc.; mas este é o menos importante; o outro é mais importante, e significa introduzir uma nova vida no organismo humano; ver as transmutações que nele ocorrem, saber o que é o sangue e que tipo de

■jT     e      {)       (Enxofre, Sal e Mercúrio) ele contém."

a

s

("Paramirum," Lib.

I.     Cap.

6.)

f  Prof.

Rud.

Virchow, conferência sobre Patologia, proferida em Londres, 6 de março de

mundo como um ser que possui algo grandioso, ou com o propósito de satisfazer uma louvável curiosidade científica.

Mas a aquisição da sabedoria médica requer um amor à verdade, e amor significa autossacrifício.

A aquisição da sabedoria é, portanto, possível somente se o eu ilusório, com todos os seus desejos, for sacrificado a ela. O caminho para a sabedoria pode ser mostrado; mas a sabedoria só pode ser ensinada pela própria sabedoria; aquele que ama o reino das ilusões não pode ver sua verdadeira luz.

Quantos dos supostos seguidores de Jesus de Nazaré se tornaram Cristos, e quem pode compreender a profundidade de seus pensamentos e exercer seus poderes divinos, senão aquele que se tornou como ele? Nenhum dos supostos seguidores de Paracelso cresceu para se tornar como este mestre; nenhum dos representantes da ciência médica moderna penetrou profundamente em sua sabedoria.

A ciência médica popular, estando baseada na observação objetiva dos fenômenos, sabe mais sobre o reino da natureza visível (Maya) do que se sabia na época de Paracelso; mas a razão pela qual essa ciência médica popular, apesar dos auxílios que recebeu da química e da fisiologia, ainda é incapaz de realizar as curas que foram realizadas por Paracelso, é porque seus seguidores apenas especulam e tiram inferências, enquanto não cultivam aquele poder espiritual do conhecimento da alma que é chamado de "contemplação interior",* mas que Paracelso chamava de Fé; uma faculdade que atualmente é tão inteiramente desconhecida que até mesmo uma explicação do significado desse termo é extremamente difícil.

É um poder que não pertence nem à natureza física, nem à animal, nem à intelectual do homem, mas ao homem espiritual (Atma-Buddhi-Manas); àquela parte superior de seu ser, que na vasta maioria da humanidade, por mais intelectual que seja, ainda não despertou para a vida, mas permanece latente, sepultada no túmulo da materialidade, no qual a luz da verdade divina não pode penetrar.

* A palavra "contemplação" — de con = com, e templum = templo — significa evidentemente não mera observação objetiva, mas uma permanência no mesmo templo com a verdade que deve ser conhecida, uma identificação de sujeito e objeto na luz da sabedoria divina, o templo da verdade.

A obtenção do conhecimento por tal contemplação só é possível

"O que sois vós, homens, em vossos próprios poderes, senão nada? Se desejais obter força, tomai-a da fé."

Se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda, sereis tão fortes quanto os espíritos, e embora agora apareçais como homens, vossa fé tornará vossa força e poder iguais aos dos espíritos, como também o foram em Sansão.

Pois, por meio de nossa fé, tornamo-nos nós mesmos espíritos, e tudo o que realizamos que supera nossa natureza (terrestre) é feito pelo poder da fé agindo através de nós como um espírito e transformando-nos em espíritos." ("De Origin, Morb.

Invisib." Introdução.)

O homem, mesmo que obtenha ocasionalmente um vislumbre da verdade divina, é demasiadamente propenso a esquecê-la no momento seguinte, pois a ação de sua mente terrestre é mais forte nele do que a de seu espírito, e parece portanto necessário ser lembrado repetidas vezes que a fé da qual fala Paracelso não é a fé ilusória do cérebro, produto da especulação, mas um poder pertencente àqueles poucos espíritos vivos que caminham dentro deste mundo adormecido.

Assim como os poderes físicos pertencem ao homem físico e terrestre, os poderes espirituais pertencem ao homem espiritual, que deve nascer antes de poder conhecer e exercer esses poderes.

Até agora, parecem ser poucos, mesmo entre nossos eminentes cientistas e bem-sucedidos praticantes, aqueles que se regeneraram no espírito da verdade e se encheram da luz da sabedoria divina, e se existem tais, pediríamos a todos os estudantes de medicina que seguissem seu exemplo e, aprendendo a grande arte do autocontrole, tornassem-se mestres sobre sua própria natureza e sobre a natureza dos outros.

A humanidade é apenas uma, e a realização dessa verdade abrirá um novo campo para a ciência da medicina no futuro.

Aquela parte de nós que vive no coração dos outros é nosso próprio e mais verdadeiro "mais profundo Eu".* Se esse eu, que vive nos corações dos outros, despertou para sua própria consciência—

para aqueles cuja percepção espiritual está aberta.

Uma pessoa cega pode habitar para sempre no templo da verdade sem ser capaz de conhecê-lo. Para aqueles que, por um desdobramento de sua espiritualidade, alcançaram esse poder de contemplação, sua suficiência para a obtenção do conhecimento espiritual é evidente por si mesma e não requer argumentos.

Aqueles que não possuem esse poder acharão difícil compreender o significado desse termo e suporão que seja imaginação.

* Herder.

dade, realizará sua própria existência universal e seu próprio poder de agir dentro daqueles em quem vive.

Assim, o médico, tendo se tornado autoconsciente de sua própria natureza superior, tornar-se-á um salvador para todo o restante da humanidade, não apenas em relação aos seus males morais, mas também em relação às suas doenças físicas; pois o espírito, a alma e o corpo do homem não vivem separadamente; eles são um todo orgânico, assim como é o corpo da humanidade, ainda que as personalidades que constituem esse corpo estejam separadas umas das outras pela ilusão da forma.

II.

OS QUATRO PILARES DA MEDICINA.

Os pilares sobre os quais repousa a prática da medicina moderna são: —

1. Um conhecimento do corpo físico do homem, a disposição de seus órgãos (anatomia), suas funções fisiológicas (fisiologia) e as mudanças visíveis que neles ocorrem quando uma doença se manifesta (patologia).

2. Um certo grau de familiaridade com a ciência física, química, botânica, mineralogia, etc., na verdade, com tudo aquilo que incorpora um conhecimento das relações externas que as coisas neste mundo fenomênico mantêm entre si e com o corpo do homem (terapêutica).

3. Um certo grau de familiaridade com as visões e opiniões das autoridades médicas modernas aceitas, por mais errôneas que possam ser.

4. Um certo grau de discernimento e aptidão para colocar as teorias adquiridas em prática.

Tudo isso é muito bom até onde vai; mas pode-se ver de imediato que todo o conhecimento exigido de um praticante moderno refere-se apenas ao plano externo da existência; o corpo animal do homem e seus arredores físicos.

Chamar de "ciência" da "psicologia" aquilo que atualmente leva esse nome é um equívoco; pois não pode haver ciência da alma enquanto a existência de uma alma (psique) não for reconhecida.* O corpo invisível, espiritual ou causal, dentro da natureza do homem, é inteiramente

* Somente muito recentemente, nos tribunais de Viena, durante um julgamento sensacional a respeito do estado de não compos mentis, concernente a um nobre que deixou considerável fortuna aos seus criados, a total ignorância dos especialistas em "psicologia" sobre todas as questões relativas à alma, e sua total incapacidade de julgar o caráter e os motivos de uma pessoa, tornou-se tão evidente e foi exposta de maneira tão ridícula, que se tornou opinião pública, também expressa pelo juiz, que o costume de convocar médicos como peritos em tais assuntos deveria ser abandonado, e que atores, romancistas, ou aqueles que possuem maior capacidade de conhecer os motivos da natureza humana, deveriam ser selecionados para esse fim.

ignorado pela ciência, e mesmo que algum médico moderno pessoalmente acredite em uma alma, ele quase sem exceção considerará este assunto como pertencente exclusivamente à Igreja, e como algo com o qual a ciência nada tem a ver.

No entanto, se o termo "religião" significa o conhecimento da relação que o homem terrestre exterior mantém com o poder criativo nele existente, seu próprio Eu interior, que é a sede não apenas de sua vida espiritual, mas também a fonte indireta de sua vida física; pareceria que um conhecimento dessa religião que ensina a natureza desse verdadeiro ser interior e imortal, e também os elos que conectam essa natureza superior à forma física, seria uma parte indispensável e importantíssima de uma verdadeira ciência e sistema de medicina baseados no reconhecimento da verdade; e embora a teoria preceda a prática, esse conhecimento não deveria ser meramente daquele tipo teórico que é apenas imaginário e não real, e que em pessoas que tentam apreender coisas que não são capazes de realizar produz um misticismo selvagem e absolutamente infrutífero; mas deveria ser daquele tipo que, através da experiência, constitui o autoconhecimento, e que só é possível mediante a realização da posse dos ideais que se deseja conhecer.

Segundo Teofrasto Paracelso, os seguintes são os quatro pilares da medicina: —

I. — Philosophia.

O termo "Filosofia" vem de *phileo*, amar, e *sophia*, sabedoria, e seu verdadeiro significado é o amor à sabedoria e o conhecimento daí resultante; pois o próprio amor é conhecimento; é o reconhecimento de si mesmo em outra forma; o amor à sabedoria é o reconhecimento, pela sabedoria no homem, do mesmo princípio de sabedoria que se manifesta na Natureza, e desse reconhecimento brota a realização do conhecimento da verdade.

A verdadeira filosofia não é, portanto, aquilo que atualmente leva esse nome, que consiste em especulações selvagens sobre os mistérios da Natureza com o propósito de satisfazer a curiosidade científica; um sistema

na qual há grande dose de amor-próprio, mas muito pouco amor à verdade, e cujos seguidores, por meio de lógica e argumentação, inferências, teorias, postulados, hipóteses, induções e deduções, procuram, por assim dizer, arrombar as janelas dos fundos do templo da verdade, ou espreitar pela fechadura, a fim de ver a deusa desvelada.

Essa filosofia especulativa não constitui conhecimento real.

Constitui aquela construção artificial da filosofia e da chamada ciência, fundada sobre argumentos e opiniões, que mudam de aspecto a cada século, e da qual Paracelso disse que "as coisas que uma geração considera o ápice do conhecimento humano são tidas como absurdo pela seguinte, e o que é considerado superstição em um século forma a base da ciência do século seguinte". Toda informação obtida por meios cuja base não é o amor à verdade não constitui conhecimento imortal ou verdadeira teosofia; mas serve apenas para propósitos temporais e como ornamento para o egoísmo, brotando, como brota, do amor à ilusão do eu e tendo ilusões por objeto.

Toda a natureza é uma manifestação da verdade; mas requer o olho da sabedoria para ver a verdade e não meramente sua aparência enganosa.

A filosofia da qual fala Paracelso consiste no poder de reconhecer a verdade em todas as coisas, independentemente de quaisquer livros ou autoridades, todos os quais apenas podem servir para nos mostrar o caminho para evitar erros e como remover os obstáculos em nosso caminho; mas que não podem fazer-nos realizar aquilo que não realizamos em nós mesmos.

Aquele que não está sobrecarregado por um fardo de conceitos errôneos e ensinamentos equivocados não necessita de outro livro além do livro da natureza para ensinar-lhe a verdade.

Há poucos que podem ler o livro da natureza à luz da natureza; porque, tendo suas mentes preenchidas com imagens pervertidas e falsas visões, tornaram-se eles mesmos não naturais, e a luz da natureza não pode penetrar em suas almas; vivendo na falsa luz do luar da especulação e do sofisma, perderam sua receptividade para a luz da verdade.

Tais filósofos vivem em ilusões e sonhos, mas não conhecem aquilo que é real:

"Não há sobre esta terra nada mais nobre e mais capaz de proporcionar perfeita felicidade do que um verdadeiro conhecimento da natureza e de seus fundamentos.

Tal conhecimento produz um médico valioso, mas deve ser parte de sua constituição e não um artifício fabricado, preso a ele como um casaco; ele deve ele mesmo nascer da fonte daquela filosofia que não pode ser adquirida por meios artificiais." (Ver: "De Generatione hominum," I. Prefácio.)

Um conhecimento baseado na opinião ou experiência de outrem é meramente uma crença, mas não constitui conhecimento real.

Livros e palestras podem servir para nos dar conselhos, mas não podem nos dotar do poder de conhecer a verdade; podem nos servir como guias úteis, mas uma crença nas afirmações de outros não deve ser confundida com autoconhecimento, tal como surge apenas do reconhecimento próprio da verdade, e que, por meio de um amor à verdade, deve ser cultivado acima de tudo.

A este reino da Filosofia pertencem todas as ciências naturais referentes aos fenômenos externos, no conhecimento dos quais parece ter-se feito grande progresso desde a época de Paracelso.

A esta ciência fenomenal pertencem a anatomia, a fisiologia, a química do corpo físico e tudo o que concerne às inter-relações dos fenômenos existentes na grande fantasmagoria de imagens vivas e corpóreas chamada mundo sensorial.

Mas, por trás deste mundo sensual, há um mundo mais interior e supra-sensual, ignorado pela ciência popular, do qual aquele é a expressão externa; os processos que ocorrem nesta luz interior da natureza espelham-se na luz do mundo externo, e aquelas almas cujas percepções internas se desenvolveram em consequência de um despertar do "homem interior" não necessitam da observação dos fenômenos externos para tirar inferências a respeito de suas causas internas, porque conhecem as causas e os processos interiores e também as aparências externas que eles produzirão.

Assim, há uma ciência médica externa e uma interna, uma ciência concernente ao corpo astral e uma ciência concernente ao corpo físico do homem.

A primeira ocupa-se do paciente; a última, por assim dizer, das vestes que ele usa.

Para tornar isso ainda mais claro, ilustremos com um exemplo.

Imaginemos uma lanterna mágica capaz de projetar imagens vivas e corpóreas sobre uma tela viva.

A ciência externa ocupa-se apenas dessas imagens, das relações que elas mantêm entre si e das mudanças que ocorrem entre elas; mas nada sabe sobre as lâminas na lanterna, nas quais estão os tipos dessas imagens visíveis, e ignora por completo a luz que causa sua projeção sobre essa tela; mas aquele que vê as lâminas com suas figuras e conhece a fonte da luz que produz essas imagens-sombra não precisa estudar as sombras para tirar inferências e especular a respeito de suas causas.

Assim, há uma ciência superficial que é atualmente o objeto de orgulho do mundo, e uma ciência secreta da qual quase nada é publicamente conhecido, mas que é conhecida pelos sábios e revelada pela própria percepção "da verdade".

As verdades devem ser percebidas antes de serem intelectualmente apreendidas, e portanto esta ciência maior e mais elevada não pode ser aprendida em livros, nem ser ensinada em palestras na faculdade; é o resultado de um desenvolvimento da percepção superior do homem, pertencente à sua natureza superior, e caracteriza o médico nato.

Sem esta faculdade superior, conhecida em seu estágio inicial como o poder da "intuição", um profissional da medicina pode encontrar ocupação apenas no pátio externo do templo, colhendo grãos úteis entre os detritos; mas não pode entrar no templo em que a própria natureza ensina seus divinos mistérios.

Os mínimos detalhes desses detritos têm sido estudados pela ciência popular moderna, cuja atenção foi por eles tão absorvida que

* Podemos ler a qualquer momento que as visões dos antigos a respeito disto ou daquilo eram "muito vagas"; enquanto na verdade a vagueza está no crítico que não compreende o que eram as visões dos antigos.

As palavras são feitas com o propósito de expressar ideias, e se as ideias não são percebidas, as palavras apenas enganam.

Se interpretarmos o significado de um termo segundo nossa própria fantasia, encontraremos nele apenas o equívoco nele colocado por nós mesmos, mas não o significado original.

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o templo da verdade em si foi esquecido, e a natureza da Vida tornou-se um mistério para aqueles que apenas estudam suas manifestações externas.

Dificilmente será necessário dizer que o acima não tem a intenção de desencorajar o estudo dos fenômenos; pois aqueles que não têm o poder de alcançar o mais elevado nada ganharão permanecendo ignorantes das aparências externas; mas tem a intenção de mostrar que uma ciência que se refere meramente aos fenômenos da vida terrestre e aos resultados últimos não é o cume de todo o conhecimento possível; pois além do reino dos fenômenos visíveis há um reino muito mais extenso aberto a todos os que são capazes de entrar: o reino da verdade, do qual apenas as imagens invertidas são vistas no reino dos fenômenos externos.

A ciência natural dos antigos místicos, devido à sua penetração mais profunda no chamado reino supersensorial, não se limitava ao mundo que vemos com nossos olhos corporais; pois eles reconheciam quatro mundos ou planos de existência contidos uns nos outros, cada um tendo suas próprias formas de vida e habitantes, a saber: —

(a.) O mundo físico visível, sendo apenas o reflexo dos três superiores.

(b.) O mundo astral, ou o reino psíquico.

(c.) O mundo da mente, ou o reino espiritual.

(d.) O estado divino, o reino de Deus, ou o mundo celestial.

Assim como percebemos a existência de um reino mineral, vegetal e animal no plano sensorial,* assim eles, pela faculdade da visão interior desenvolvida, perceberam e descreveram dentro deste mundo quatro reinos, ou quatro estados espirituais, e para nós invisíveis, de existência, que em sua manifestação externa são chamados: Terra, Água, Fogo, Ar.

"Mostrar-vos-emos que não somos os únicos seres inteligentes

*Chamamos este plano de sensorial, meramente porque inclui aquilo que é percebido pelos sentidos de nosso corpo físico.

Se os sentidos da forma astral são desenvolvidos, o plano astral também será nosso plano sensorial.

Não pode haver conhecimento sem percepção, e nenhuma percepção sem um sentido para esse fim.

Um sistema de filosofia baseado meramente em especulação, e sem qualquer percepção da verdade, não é filosofia alguma; mas consiste meramente em devaneios, ilusões e sonhos.

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que possuem o mundo, mas que nossas posses se estendem apenas sobre um quarto dele. Não que este mundo seja três vezes maior do que o conhecemos; mas há nele ainda três quartas partes que não ocupamos, e seus habitantes não são inferiores a nós em inteligência; a única coisa de que podemos nos orgulhar é que Cristo (a luz da sabedoria divina) tomou sua habitação em nós e se revestiu de nossa forma, assim como poderia ter escolhido outra nação (outra classe de Elementais) para esse propósito." (Paracelso, "Da geração de seres conscientes na mente universal," I. Prefácio.)

Tudo isso, no entanto, não pertence estritamente ao propósito atual desta obra, e é meramente mencionado para abrir espaço para a concepção de que a natureza é muito maior do que os limites que lhe são atribuídos pela ciência material, e que, como disse certo filósofo: "o que é conhecido é apenas como um grão de areia na praia do oceano do desconhecido."

II. ASTRONOMIA.

"Astronomia" significa o conhecimento das estrelas, e para a concepção da mente moderna é a ciência dos "corpos celestes", tais como são vistos à noite no céu; mas para os filósofos antigos todas as coisas visíveis eram símbolos e representações de poderes, pensamentos e ideias invisíveis, e a expressão "Astronomia", como usada por Paracelso, é, portanto, algo bastante diferente da ciência dos observadores de estrelas, e refere-se aos vários estados da mente existentes no macrocosmo da natureza, bem como no microcosmo do homem.

A própria palavra "celestial" ou "celeste" refere-se a algo superior à nossa natureza grosseiramente material, e uma ideia do que são as "estrelas" com as quais a antiga astronomia e astrologia lidam pode ser formada estudando-se a significação dos planetas mencionados no capítulo anterior sobre a Constituição do Homem.

A Astronomia de Paracelso, portanto, não lida com corpos cósmicos corpóreos, materiais, visíveis; mas com vivhites (virtudes) ou poderes e semina (germes), ou essências, todos os quais são espirituais e substanciais; porque um poder sem substância é inconcebível; "poder e substância", "matéria e força" sendo termos conversíveis, estados de uma unidade, divididos apenas em nossa concepção dos modos de sua manifestação.

Uma "estrela", de fato, significa um estado, e uma "estrela fixa" um estado fixo de um poder na natureza; ou como é chamado em Sânscrito, um Tattwa, que significa um estado de Isso ou Ser, e como todo Ser é uma manifestação de Vida ou Consciência, as "estrelas" são certos estados dessa Vida universal ou Consciência-total, em outras palavras, estados da Mente.

Você deve saber que as constelações dos planetas e estrelas no céu, com todo o firmamento, não causam o crescimento do nosso corpo, a nossa cor, aparência ou comportamento; e não têm nada a ver com as nossas virtudes e qualidades.

Tal ideia é ridícula; o movimento de Saturno não interfere na vida de ninguém, e não a torna nem mais longa nem mais curta, e, mesmo que nunca tivesse existido um planeta chamado "Saturno" no céu, haveria pessoas nascidas com naturezas saturninas.

Pois, apesar de o planeta Marte ser de natureza ígnea, Nero não foi seu filho, e embora sejam da mesma natureza (o mesmo tipo de energia manifestando-se em ambos), nenhum deles a recebeu do outro." (''De Ente Astrorum," Paramirum C. I. 2.)

Talvez não seja inoportuno, com o propósito de facilitar a compreensão do que Paracelso queria dizer com o termo "Astronomia", lançar um olhar sobre o ensinamento indiano a respeito dos Tattwas.

De acordo com essas doutrinas, o Universo é uma manifestação d'Aquilo (existência ou ser), manifestando-se como Vida (Prana) dentro do Akasa universal (matéria primordial, que, para todos os fins práticos, pode ser considerada como o "éter cósmico" do espaço). Prana manifesta-se nos vários planos de existência em vários Tattwas ou formas de existência, correspondendo aos princípios na constituição do homem enumerados acima.

Desses sete Tattwas, cinco são manifestados, correspondendo aos cinco sentidos do corpo humano, e são chamados como segue:*

1. Akasa Tattwa; o elemento único que forma a base substancial dos outros quatro, e correspondendo àquilo que, no plano físico, torna-se em última instância manifestado como som audível.

2. Vayou Tattwa; representando o princípio que

*Ver "Nature's Finer Forces," de Rama Prasad.

torna possível a sensação de sentir ou "tato", em todos os planos de existência.

3. Taijas Tattwa; aquela forma de existência que representa o estado que se manifesta em todos os planos como Luz.

4. Apas Tattwa; aquele princípio que torna possível a sensação de paladar em todos os planos de existência.

5.  Tattwa Pvithivi; o princípio que torna possível a sensação de olfato em todos os planos de existência.

As palavras são totalmente insuficientes para dar uma ideia sobre a qual se possa formar uma concepção de coisas que estão além da nossa compreensão intelectual, enquanto não vivem em nossa própria consciência; mas podemos considerar os sete Tattwas como representados por sete modos de vibrações de um éter cósmico, diferindo entre si não apenas quantitativamente, mas qualitativamente, de modo que, por exemplo, o Tattwa Akasa tem um movimento circular, o Tattwa Vayou um movimento espiral, etc.;

mas tal concepção é bastante inadequada, pois temos a ver com forças vivas, com estados da vida ou consciência universal, manifestando-se não apenas como as causas dos cinco modos de percepção no plano físico, mas também nos planos superiores; capacitando o homem, por exemplo, não apenas a sentir o toque de um objeto no plano físico, mas a sentir com seu sentido astral a presença de um objeto no plano astral, e em seu coração o toque de um poder espiritual; a ver não apenas a luz física com os olhos de seu corpo, mas coisas na luz astral com seus órgãos astrais de visão; a ver verdades e ideias intelectuais com o olho de seu intelecto na luz de seu intelecto, e coisas espirituais com o olho do espírito.

De fato, tudo o que existe é uma manifestação dos Tattwas, ou "vibrações do éter"; estacionário em seu aspecto como "matéria", progressivo em seu aspecto como "força"; a matéria é energia latente, a força é substância ativa;* tudo é vida, consciência, inteligência, adormecida ou ativa de acordo com as condições existentes no plano sobre o qual se manifesta; toda substância é mente, e as formas que vemos são apenas os símbolos dos pensamentos ali representados.

* Ver "Magic, white and black", 4ª edição, Londres, 1893 (Kegan, Paul and Co.).

Não é nosso propósito, dentro dos estreitos limites desta obra, entrar em uma investigação mais profunda dessa ciência tão interessante, sublime e elevadora, que foi discutida extensamente na "Doutrina Secreta" de H. P. Blavatsky; tocamos apenas nesses pontos com o objetivo de chamar a atenção para ela, pois representa um aspecto e uma concepção da natureza imensuravelmente superiores àquela representada pela ciência popular, e, portanto, acessível somente àqueles cujas aspirações alcançam além deste plano grosseiramente material.

A "Doutrina Secreta" nos informa que, no curso da evolução, este nosso planeta apenas atingiu sua forma de existência Kâma-rupa, ou animal, e que o próximo estado superior de Manas (mente) mal começou a se desenvolver.

Esta pode ser a razão pela qual a ciência da mente está atualmente em sua infância, e é apreendida apenas por aqueles espíritos dotados que, como Paracelso e outros de sua espécie, pela nobreza de caráter e espiritualidade, ultrapassaram o restante da humanidade em conhecimento superior; formando, por assim dizer, a vanguarda do exército, à medida que este avança para as regiões do — não absolutamente incognoscível — mas do desconhecido.

A astronomia moderna ensina a ciência dos corpos dos planetas e estrelas; a Astronomia de Paracelso fala das forças espirituais representadas por esses planetas, cujos equivalentes existem na constituição do homem; e, como toda força na natureza age sobre seu elemento correspondente na natureza do homem, essas forças universais produzem certos efeitos sobre aqueles elementos no homem que existem no plano correspondente.

Assim, por exemplo, não é necessário argumento para provar que o sol é a fonte de calor, luz e vida neste planeta, e que o corpo físico do homem, bem como o da terra, recebe essas energias das radiações provenientes do corpo físico do sol; sendo este o centro corpóreo visível de um poder que existe universalmente, e cuja esfera de atividade alcança até os limites do nosso sistema solar.

Vivemos e temos nosso ser fisicamente dentro da esfera de atividade e, consequentemente, dentro dos elementos físicos do sol; em um sentido semelhante, vivemos e temos nosso ser espiritualmente no corpo e na substância espiritual do Amor, e assim como o sol do mundo físico brilha sobre nosso corpo; assim também a luz da sabedoria divina está ao nosso redor e pronta para penetrar em nossa alma.

Assim, Paracelso ensina que a lua corresponde ao corpo astral do homem e exerce certos efeitos sobre ele, causando certos estados que podem, em última instância, manifestar-se externamente como certas doenças morais ou físicas, e correspondências semelhantes poderiam ser demonstradas entre os poderes universais representados pelos planetas visíveis e os elementos correspondentes existentes na constituição do homem; mas, por mais importante e interessante que este assunto possa ser, ele recebe muito pouca atenção por parte da ciência médica popular, que está ocupada demais investigando efeitos externos de caráter fenomênico para encontrar tempo para atender àquilo que produz todos esses fenômenos e aparências.*

Se a Astronomia de Paracelso fosse compreendida, descobrir-se-ia que o homem, longe de criar seus próprios pensamentos, apenas remodela as ideias que fluem para sua mente; que a "transferência de pensamento", longe de ser uma ocorrência estranha e rara, é tão comum quanto a transferência de calor; que, devido à unicidade da humanidade, todos sentimos e pensamos uns dentro dos outros e agimos segundo os pensamentos uns dos outros.

Conheceríamos melhor as causas reais dos crimes, da insanidade e das doenças, e descobriríamos que elas são termos controversos.

Poderíamos então, talvez, também modificar nossas visões a respeito do suposto livre-arbítrio e da quantidade de responsabilidade do homem, e saber que o poder da vontade não é um mito, e que a bruxaria e a feitiçaria não são mais impossíveis do que a ação mágica do amor verdadeiro.

* Quanto mais as mentes dos homens se complicam ao atender a uma multiplicidade de detalhes, mais perdem de vista os fatos simples.

Assim, a ação da luz solar e suas diversas cores, das quais cada uma tem suas qualidades terapêuticas especiais, é algo simples demais para encontrar favor popular.

III.

— Alquimia.

Não sendo mestres em Alquimia, não somos capazes de ensinar a ciência deste pilar da medicina; tampouco qualquer informação a respeito do modo como certos poderes misteriosos são utilizados poderia ser de algum serviço para aqueles que, não tendo desenvolvido esses poderes, não os possuem.

As observações seguintes destinam-se, portanto, antes a mostrar o que a Alquimia não é, do que a mostrar o que ela é; pois, como todo termo que simboliza uma verdade espiritual e que alguma vez caiu nas mãos do vulgo, também este termo foi "manchado de lama e prostituído abertamente na praça pública",* a ponto de agora estar quase além do reconhecimento.

Os antigos alquimistas usavam uma linguagem misteriosa ao falar de coisas misteriosas, nem poderia qualquer alquimista moderno expressar em linguagem clara coisas para as quais nossa língua não tem palavras e as mentes comuns não têm concepção.

As crianças frequentemente falam mais sabiamente do que sabem; os sábios sabem o que falam, mas os semieruditos falam sem saber.

A criança que recebe presentes de seus pais na véspera de Natal acredita que o Cristo enviou esses presentes, mas o menino crescido e esperto torna-se cético e ri dessa história.

Nessa opinião, ele pode agora continuar por toda a sua vida, ou pode tornar-se ainda mais esperto e descobrir que o Cristo é o amor divino, do qual se originou o amor de seus pais, levando-os a conceder presentes, e que a história em que acreditou quando criança era, afinal, verdadeira.

No mesmo sentido, a Alquimia é ou uma verdade ou uma superstição; depende meramente da definição que damos a este termo.

O Professor Justus von Liebig diz: "A Alquimia nunca foi nada diferente da Química", e com isso concordamos na medida em que ambas lidam com coisas substanciais, tendo certas afinidades, e não com algo existente fora da natureza; mas enquanto a química comum (física) emprega meramente forças físicas (mecânicas) para o propósito de compor e decompor substâncias materiais, sem

*"The Secret Symbols of the Rosicrucians," II., pp. 16. (Occult Publishing Co., Boston, Mass., 1888).

fazendo crescer algo novo, a Alquimia emprega o poder da vida e utiliza forças animadas, estabelecendo condições sob as quais algo visível possa crescer a partir de algo invisível, no mesmo sentido em que uma árvore cresce de uma semente no laboratório alquímico da natureza.

Química e Alquimia são, portanto, dois aspectos de uma mesma ciência; uma é a parte inferior, a outra, a superior.

O químico que decompõe o sal em Na e Cl, e o recombinam em NaCl, pratica química; o jardineiro que estabelece em sua estufa as condições sob as quais a semente de uma planta de tipo inferior é levada a se desenvolver em uma planta de tipo superior, e o mestre-escola que faz de um ignorante um ser inteligente, estão praticando Alquimia, porque produzem algo mais nobre do que os materiais empregados, a partir das potencialidades latentes neles contidas.

Sem a alquimia da natureza, nenhuma "química fisiológica" poderia ocorrer; sem a ação de um princípio de vida universalmente existente, nenhuma forma humana poderia crescer a partir de um óvulo ou feto, nenhuma criança se desenvolveria até se tornar um homem.

O estômago humano é um laboratório alquímico no qual se realizam milagres que nenhum químico moderno pode imitar por meios meramente químicos; leite e pão são transformados em sangue e carne dentro da retorta viva do corpo humano, e maravilhas são realizadas que a química moderna, apesar de seu progresso, não pode realizar, porque não controla o poder organizador da vida.

Tudo o que a crença popular sabe sobre a Alquimia antiga provém dos escritos mal compreendidos dos antigos, que propositalmente escreveram de maneira incompreensível para os não iniciados, ou dos escritos de impostores e fraudadores — pois naquela época havia tantas pessoas egoístas e ignorantes quanto há hoje, desperdiçando seu tempo em esforços inúteis para aplicar uma ciência espiritual a propósitos materiais, e buscando empregar poderes que não possuíam, na esperança de satisfazer sua curiosidade e sua ganância.

Desse tipo de "Alquimia", Paracelso fala com o maior desprezo.*

* "Paracelsus", p. 168. (Londres, 1887: Trubner & Co.)

Para o propósito de praticar química, são necessários poderes físicos e aquisições científicas; para o propósito de praticar alquimia, são necessários poderes espirituais vivos e sabedoria.

A química pertence ao homem terrestre; o aspecto superior da Alquimia pertence ao homem espiritualmente regenerado, que tenha passado pela morte mística até a ressurreição da vida verdadeira e imortal.*

Assim como há três reinos na natureza, intimamente conectados entre si — o reino da natureza física, o reino da alma do mundo (o plano astral) e o reino do espírito autoconsciente —, assim também há três aspectos da Alquimia, intimamente conectados entre si: um pertencente ao aspecto físico, outro ao astral, e o mais elevado ao aspecto espiritual do homem.

H. P. Blavatsky diz:

"Tudo o que existe no mundo ao nosso redor é composto de três princípios (substâncias) e quatro aspectos.

(A síntese tríplice dos sete princípios.) Assim como o Homem é uma unidade complexa, consistindo de um corpo, uma alma racional e um espírito imortal, assim também cada objeto na natureza possui um exterior objetivo, uma alma vital e uma centelha divina que é puramente espiritual e subjetiva.

Assim, como acontece com todos os objetos naturais, também toda ciência tem seus três princípios fundamentais e pode ser aplicada através de todos os três ou pelo uso de um deles."

Esses três estados de existência no universo foram chamados pelos antigos alquimistas de as Três Substâncias, simbolizadas como Sal, Enxofre e Mercúrio.

Com o mesmo direito com que o químico moderno simboliza suas substâncias químicas por meio de letras — tais como O para oxigênio, H para hidrogênio, N para nitrogênio, C para carbono* —

* O homem espiritual regenerado não é um sonho ou um ideal irrealizável, mas algo muito mais substancial do que o homem terrestre.

William Law diz: "Onde Cristo nasce ou Seu Espírito se eleva na alma, ali todo o eu é negado e obrigado a se retirar; ali toda sabedoria carnal, artes de ascensão, com todo orgulho e glória desta vida, são tantos ídolos pagãos, todos voluntariamente renunciados, e o homem não apenas se contenta, mas se regozija em dizer que seu reino não é deste mundo." ("William Law," Londres, 1893.) Ver também "Jacob Boehme," página 263. Londres, 1891. † "Theosophical Siftings." Alquimia. (Londres: Theo. Pub. Soc., 1891.)

Propositadamente dizemos "carbogênio" e não "carbono", porque nos referimos àquele elemento invisível, cujo produto no plano visível é o carbono ou o carvão.

etc., cujos símbolos são incompreensíveis para aqueles que não sabem o que significam; os antigos alquimistas expressavam a natureza das essências espirituais, poderes e princípios com os quais lidavam por certos signos alquímicos, tais como |— 1 para o Sal, ou o princípio substancial em todas as coisas; A para o Enxofre, ou as energias nele contidas; e O para o Mercúrio, ou o princípio de inteligência latente em tudo, manifestado ou não; mas as essências vivas ou estados no universo que se manifestam nesses três planos, eles simbolizavam pelos signos dos planetas, como já foi especificado acima.

Esses princípios são eternos; mas suas manifestações diferem de acordo com o plano no qual se manifestam.

Assim, por exemplo, o amor é eterno, manifestando-se no reino de Deus como autoconsciência divina; no plano astral como afeição, desejo e paixão; no plano físico como gravitação, atração, afinidade química, etc.

O poder é sempre o mesmo; mas sua ação parece diferente sob diferentes condições.

"Acima de tudo, um médico deve saber que o homem existe em três substâncias. Aquilo de que ele é feito tem três aspectos. Esses três constituem o homem inteiro, e eles são o próprio homem e ele é eles, e dessas três substâncias ele recebe todo o seu bem e mal concernentes ao seu corpo físico."

Assim, cada coisa existe nessas três substâncias, e as três juntas constituem um corpo, e nada lhe é acrescentado senão a vida.

Se puderes ver essas verdadeiras substâncias, terás então o olho por meio do qual um médico deve ser capaz de ver.

Ver apenas o exterior está ao alcance de todos; mas ver o interior do interior e descobrir o que está oculto é uma arte que pertence ao médico." ("Paramirum", Liv. I. s.b.)

Aqueles que até aqui acompanharam nosso raciocínio estarão agora prontos a reconhecer que a compreensão dessa ciência superior, cuja aquisição de conhecimento exige uma vida inteira dedicada por uma mente superior, e cuja prática envolve a evolução de faculdades superiores, não se obtém com algumas horas de leitura de um livro sobre Alquimia, e que somente aqueles que são alquimistas práticos têm o direito de julgá-la. A Alquimia, longe de ser uma "fraude desmascarada", é, de fato, o mais nobre objetivo pelo qual toda a humanidade e a civilização se esforçam.

É a realização do mais alto ideal, uma façanha que não pode ser realizada por nada menos que o próprio ideal.

H. P. Blavatsky diz: —

"Quando apareceram na Terra homens dotados de inteligência superior, eles permitiram que esse poder supremo (a centelha divina) tivesse plena e desimpedida ação, e dele aprenderam suas primeiras lições.

Tudo o que tinham de fazer era imitá-lo. Mas, para reproduzir os mesmos efeitos por um esforço da vontade individual, foram obrigados a desenvolver em sua constituição humana um poder (criativo) chamado Kriyasakti na fraseologia oculta."

Ficaríamos extremamente felizes em travar conhecimento com um homem da ciência moderno que obedece à lei divina a tal ponto que deixa o poder de Deus (o Espírito Santo) ter pleno controle sobre seus pensamentos, vontade e desejos.

Tal pessoa, sem desejos egoístas, sem ambição ou vaidade, sem qualquer cobiça por dinheiro ou fama, agindo como instrumento do amor divino, seria um raro exemplar da humanidade; mas, infelizmente, tal santo e sábio dificilmente será encontrado em nossa geração atual; pois mil elos prendem o animal humano à região de seus desejos, e como poderia aquele que está amarrado por mil correntes à Lua empregar a energia do Sol, cuja influência ele não permitirá entrar em sua natureza, e que, portanto, não pode nutrir seu corpo e crescer como um poder nele.

Ouro e prata podem formar uma liga; mas nunca se tornam idênticos um ao outro.

Assim, seus representantes espirituais, a Sabedoria Divina e o intelecto carnal, nunca serão um e o mesmo, embora a luz da sabedoria lance seu reflexo sobre a mente terrestre.

Como foi dito antes, há três aspectos da Alquimia: —

Alquimia Terrestre.

Esta, em seu aspecto inferior, inclui toda a ciência da química, com todas as descobertas que possam ser feitas no futuro.

Esta alquimia ainda reconhece quatro elementos*, e o quinto, o elemento uno, do qual os quatro têm sua origem; em outras palavras, quatro estados da matéria e um quinto (parcialmente reconhecido pela ciência); a saber, o estado sólido (substancial), líquido, fluídico e etéreo.

Estes são descritos como se segue: —

(Terra.) Aquilo que dá substancialidade a todas as coisas, sejam sólidas, líquidas, gasosas, etéreas ou espirituais.

(Solidez ou Estabilidade.)

(Água.) Aquele estado que se move e torna as coisas líquidas em qualquer plano de existência.

(Movimento).

c. (Ar.) Aquilo que permite às coisas assumir uma forma gasosa.

(Extensão.)

d. (Fogo.) Aquilo que as dota de força.

(Energia.)

(Éter.) Este quinto elemento, no qual os atributos de todos os outros estados têm sua base, será o principal objeto de pesquisa científica nos próximos séculos, e é, de fato, o primeiro e o elemento uno.

Esses elementos se representam como os Tattwas.

* Como não escrevemos para crianças, é desnecessário refutar a objeção pueril e dizer que os sessenta e quatro chamados corpos simples da química não são elementos da natureza, embora possam ser considerados os elementos da ciência química.

f Em tudo estão contidos cinco elementos ou qualidades, porque tudo consiste em vibrações do único elemento, chamado pelos Alquimistas de *prima materia*, no qual essas qualidades estão latentes (potencialmente contidas). Tudo é uma manifestação da substância.

Aquilo que é essencial nela é a substância, e não a forma.

Assim, por exemplo, o que é essencial num diamante é o carbono; mas o carbono não é composto de diamantes.

O carbono é uma substância universalmente distribuída na natureza sob forma sólida, aquosa, gasosa e ígnea, e todas essas formas de carbono são certos estados do único elemento "Carbogen", que está na raiz de sua existência.

enumerados no capítulo precedente, e correspondem a eles da seguinte forma, se adotarmos a linha de ordem acima: —

a. Prithivi.

Solidez.

(Terra.)

b. Apas.

Movimento.

Volume.

(Água.)

c. Vayu.

Extensão.

(Ar.)

d. Taijas.

Energia.

Intensidade.

(Fogo.)

e. Akasa.

O único Tattwa que forma a base dos demais.

(Som.)

* A limitação de espaço nestas páginas, não menos que a insuficiência de nossa experiência a respeito deste assunto, nos proíbe de entrar numa investigação mais detalhada das relações existentes entre este aspecto da Alquimia e a química física; mas temos razão para afirmar que estamos às vésperas de grandes descobertas, que revolucionarão até certo ponto a química popular dos dias atuais.

Alquimia Celestial.

— Mesmo que estivesse ao nosso alcance descrever os segredos da alquimia celestial, por meio da qual o universo foi criado e que inclui a regeneração do homem e a obtenção da imortalidade consciente, e se isso pudesse ser feito publicamente sem profanar esses mistérios, a explicação provavelmente seria compreensível apenas para aqueles que, já a conhecendo, dela não necessitam. Aqueles que desejam investigar este assunto por amor à sabedoria encontrarão todo o processo plenamente descrito simbolicamente em "Os Símbolos Secretos dos Rosacruzes dos Séculos XVI e XVII",* um livro facilmente compreensível se estudado à luz da sabedoria, mas ininteligível para a mente carnal, que vê todas as verdades pervertidas.

— Se nos lembrarmos de que, segundo a Bíblia, todas as coisas foram feitas pelo Verbo, e que "o Verbo era Deus" (João i., 1), poderemos obter a chave para a compreensão do que gerou o Akâsa.

* Vack.

† Occult Publ. Co., Boston, Mass.; e Theosoph. Publ. Soc., Londres.

Algumas explicações também foram tentadas no livro intitulado "No Pronau do Templo".* Diremos apenas que ali as Três Substâncias aparecem como os Três Princípios; a primeira manifestação da Unidade como uma Trindade, e os Sete Tattwas como os sete espíritos primitivos,† ou "sopros viventes", emanando do seio de Parabrahm.‡

O Universo é o Macrocosmo, e o Homem o Microcosmo, e assim como a primeira grande Causa é a criadora do mundo e a causa de toda evolução, também o homem individual é o criador em seu próprio mundo interior e exterior, capaz de provocar certos estados superiores em sua mente pelo poder de sua vontade, em obediência à lei, e de criar formas por meio de seus pensamentos, enquanto a condição de seu estado interior produzirá, com o tempo, efeitos correspondentes e transmutações em seu corpo físico.

Bem lhe valerá dedicar todo o seu tempo a essa prática da Alquimia e obter o ouro puro da sabedoria a partir dos metais inferiores representados por suas paixões animais.

* Vack.

† Occult Publ. Co., Boston, Mass.; e Theosoph. Publ. Soc., Londres.

‡ Vack.

Essas paixões são o capital que a natureza lhe empresta para transformá-las em "prata e ouro", enquanto ele vive sobre esta terra: são os degraus pelos quais ele pode subir até a imortalidade e encontrar seu próprio e verdadeiro eu divino.

Para praticar esse tipo de Alquimia, ele não necessitará de livros, fornalhas ou ferramentas; pois ele mesmo é o alambique, o fogo e a substância a ser enobrecida.

Ali, em seu laboratório silencioso e com as portas fechadas contra todos os desejos vãos e carnais e pensamentos egoístas, ele poderá mortificar sua natureza terrestre obtendo a vitória do autocontrole, para que sua natureza superior possa libertar-se dos laços animais, entrando na ressurreição do túmulo da ignorância para a luz do autoconhecimento.

Para realizar isso, ele terá de purificar sua mente e deixar que sua alma seja animada pelo poder do espírito da verdade; aquilo que nele é inerte deve ser sublimado no fogo do divino

* Occult Publ. Co., Boston, Mass.; e Theosoph. Publ. Soc., Londres † Jacob Böhme, "Secret Doctrine", Vol. I., p. 106.

amor, de modo a ascender ao céu sob a forma de santas aspirações, enquanto a fumaça do sofisma, do dogmatismo, da falsa ciência e da justiça própria deve ser permitida a sair pela chaminé, para nunca mais retornar.

Dessa maneira, ele poderá encontrar o caminho de combinar

com s e assim transformá-lo em ouro substancial que perdurará pela eternidade.

O exposto acima será suficiente para dar uma indicação quanto ao caráter da Alquimia e sua relação com a química.

Entre esses dois aspectos, há um terceiro, a saber, o que pode ser chamado de "Alquimia Astral".

A Alquimia do Plano Astral.

— Assim como a Alquimia inferior requer para sua prática as faculdades do corpo físico, e a Alquimia celestial a energia do espírito que se tornou um poder no corpo do homem: assim a prática da Alquimia, ao lidar com o que pertence ao plano astral, requer a evolução da consciência e da percepção no organismo astral do homem; pois na maioria daqueles que vivem no plano físico, a forma astral é tão inconsciente de seus arredores no plano ao qual pertence, e tão ignorante de sua natureza, quanto um bebê é ignorante dos significados das coisas neste mundo.

No entanto, não é nosso propósito entrar neste assunto, pois isso nos traria ao reino quase inesgotável do espiritismo, hipnotismo, bruxaria e feitiçaria: todas essas coisas são superstições se acreditadas por aqueles que nada sabem sobre suas leis, mas realidades para aqueles que conhecem as leis pelas quais tais fenômenos ocorrem.

* A chave para a compreensão desses fenômenos está na realização da verdade de que o Universo é uma manifestação de poder sobre os três planos de existência. O plano espiritual tem

* "Superstição" — de super = sobre e sfo = estar — é uma crença no conhecimento dos atributos de uma coisa, enquanto esses atributos estão além de nossa concepção. Uma superstição é, portanto, uma concepção errônea de uma coisa existente, ou uma criação da fantasia: uma conclusão errônea chegada pela observação de um fenômeno, sem uma compreensão da lei que produziu o fenômeno.

seus sete estados de existência, representando poderes inteligentes autoconscientes, tronos e dominações, anjos e arcanjos, todos esses sendo manifestações da causa primordial chamada Deus. O plano físico tem seus sete estados de existência, representados como poderes nos quais a consciência ainda está latente. Na região intermediária, o plano astral, encontramos também novamente sete estados de existência na forma de forças vivas que alcançam consciência na organização do homem.

Lá, os "sete planetas" manifestam-se, seja para o bem ou para o mal, de acordo com a natureza da pessoa em quem se manifestam.

Assim, por exemplo,

aquele elemento universal que é simbolizado como KJ se

~r

tornará manifestado no homem como amor universal ou como egoísmo, segundo a sua condição.

Se J governa o seu

T

fS', ele terá autodomínio; mas se o seu >/ governa

o seu amor, ele cederá às suas paixões.

Se o elemento de

K% nele governar o seu ((, a sua inteligência será de

natureza terrena, pertencente ao espírito da terra; mas se a sua inteligência for senhora dos seus elementos terrenos, ele será capaz de elevadas aspirações.

Se o elemento de

Q governar o seu l±, ele empregará o seu intelecto com o propósito de satisfazer a sua cobiça; mas se JJ. for o senhor

do seu O

ele será de caráter nobre.

Tudo isto é dito apenas para sugerir a sublimidade da ciência alquímica e chamar a atenção para a verdade universal: que todo princípio, em qualquer plano de existência em que possa existir, não é um produto da forma na qual se desenvolve e se manifesta; mas que a forma é o campo para o seu desenvolvimento e manifestação; no mesmo sentido em que a luz solar universal não é um produto dos corpos sobre os quais brilha, mas os corpos são instrumentos para o desenvolvimento e manifestação das qualidades da luz.

Assim, a vida, a consciência, a vontade, a virtude, a paixão, ou qualquer outro estado espiritual, emocional ou físico de um homem não é o produto da sua forma, mas uma manifestação de um princípio universal de vida que se manifesta nele de acordo com as condições apresentadas pela sua constituição.

A vida é apenas uma, manifestando-se nos animais como vida animal, nas plantas como vida vegetal, etc.

A consciência é apenas uma, manifestando-se como verdadeira autoconsciência nos seres espirituais, e como instintos no reino animal inferior.

O amor é apenas um e universal; caso contrário, não poderia manifestar em toda parte as mesmas qualidades; ele não pertence a um indivíduo ou a um país; nasce no céu; mas se manifesta sobre a terra em homens, animais, plantas e minerais, sob diferentes aspectos, de acordo com as condições que encontra.

Tudo é uma manifestação de uma Unidade primordial que se revela em um aspecto tríplice.

O próprio homem nada mais é do que uma manifestação do poder universal que o chamou à existência e edificou sua forma corporal.

Ele não é seu corpo nem sua mente; mas a expressão, em um plano inferior, de um estado individual superior de ser; uma das letras que constituem o grande alfabeto da humanidade.

Sendo continuamente iludido pela ilusão causada pelo aparente isolamento de sua forma e sua separação de outras formas de existência, ele imagina ser algo essencialmente separado de outros seres e, assim, esquece sua própria natureza universal.

Somente quando o homem começa a perceber o que ele próprio é em realidade, pode ele começar a alcançar o conhecimento real a respeito dos três reinos da Natureza.

Diz-se que o objeto da ciência é o reconhecimento da verdade, mas é também evidente que nenhuma ciência verdadeira pode existir enquanto a verdade não for reconhecida e até rejeitada; pois nada menos do que pelo poder da verdade no homem pode a verdade ser conhecida.

Nenhum homem pode ter autoconhecimento de algo que não esteja dentro de si mesmo.

Será claro que este assunto é tão vasto que torna impossível, em uma obra deste tipo, fazer mais do que meramente arranhar a superfície, e mil coisas têm de permanecer não ditas que deveriam ser explicadas; mas não é nosso propósito entrar nos detalhes da ciência da Astronomia da Vida ou da Química da Vida, nem discutir longamente os mais elevados problemas da Filosofia Oculta.

O objetivo do presente trabalho é meramente remover equívocos existentes e lançar sementes que, se caírem em solo fértil, crescerão e darão frutos, tais como amadurecem não na casca externa da Natureza, mas dentro de seu templo interior, nas regiões superiores do pensamento.

IV. A Virtude do Médico.

"Virtude" significa poder; diz-se que deriva de *vir*, Homem, e significa poder viril, eficácia, força.

Sendo o Homem algo mais do que um corpo físico ou um animal, significa um poder superior, espiritual, substancial, que se manifesta como nobreza de caráter, pureza de coração, clareza de mente, força de vontade, firmeza de decisão, rapidez de percepção, penetração de pensamento, benevolência, bondade, honestidade, veracidade, altruísmo, modéstia.

Essa virtude é algo infinitamente superior à comum "virtuosidade", que consiste em uma aparência externa de ser virtuoso e piedoso por medo de exposição e receio de críticas, e também é infinitamente superior ao que os moralistas chamam de "moralidade"; uma coisa louvada como o mais elevado objeto alcançável; mas sendo, de fato, nada mais do que uma conformidade a certos costumes e pontos de vista.

Não há necessariamente qualquer auto-sacrifício na prática da moral, mas é mais frequentemente um meio de gratificar a própria vaidade.

A palavra "moral" vem de *mores*, costumes.

O que está de acordo com os modos e costumes em um país, e portanto considerado "moral" ali, é imoral em outro lugar onde existem costumes diferentes.

Uma moralidade sem espiritualidade não tem valor real.

O mesmo pode ser dito da "ética", derivada de *ethos*, costume, e que parece ser um dos termos inventados com o propósito de criar confusão e evitar chamar as coisas espirituais por seus nomes corretos.

A virtude que, segundo Paracelso, é o quarto pilar do templo da Medicina, nada tem a ver com falsidades; significa o poder resultante de ser um homem no verdadeiro sentido deste termo e de possuir não meramente as teorias sobre o tratamento da Doença, mas o poder de curá-las por si mesmo.

Existem atualmente milhares de médicos cujo único mérito é, e sempre será, terem conseguido passar num exame e obter o título de M.D.; mas o título de "doutor" significa meramente um grau acadêmico; o diploma apenas certifica que os examinadores acreditam que o estudante cumpriu tudo o que os regulamentos exigem, e embora tal título possa envolver o direito de envenenar e matar sem ser punido por isso, a concessão de tal grau não constitui um médico.

O verdadeiro médico, assim como o verdadeiro sacerdote, é ordenado por Deus.

Paracelso diz em substância o seguinte: —

"Aquele que pode curar doenças é um médico.

Nem imperadores nem papas, nem colégios nem escolas superiores podem criar médicos.

Eles podem conferir privilégios e fazer com que uma pessoa que não é médica pareça sê-lo; podem dar-lhe permissão para matar, mas não podem dar-lhe o poder de curar; não podem torná-lo um verdadeiro médico se ele já não tiver sido ordenado por Deus.

O verdadeiro médico não se vangloria de sua esperteza nem elogia seus medicamentos nem procura monopolizar o direito de roubar o paciente; pois ele sabe que a obra deve louvar o mestre, e não o mestre a obra.

Há um conhecimento que deriva do homem, e outro conhecimento que deriva de Deus através da luz da natureza.

Aquele que não nasceu para ser médico jamais terá sucesso.

Um médico deve ser fiel e caridoso.

Aquele que ama apenas a si mesmo e ao próprio bolso será de pouca utilidade para os enfermos.

A medicina é muito mais uma arte do que uma ciência.

Conhecer a experiência de outros é útil a um médico; mas todo o aprendizado dos livros não pode fazer de um homem um médico, a menos que ele o seja por natureza.

A sabedoria médica é dada somente por Deus." (Comp. "Paragranum," i. 4.)

Essa virtude que constitui o verdadeiro médico não pode ser criada por colégios, nem pode ser conferida por alguém pessoalmente a si mesmo.

Ninguém pode conferir a si mesmo uma coisa que não possui, ou sem o auxílio de

qualquer influência superior tornar-se melhor do que aquilo que é; porque, como foi explicado acima, o poder exercido por qualquer forma não é a criação da forma, mas um princípio eterno, que entra em existência objetiva nas formas e se manifesta nelas e através delas por seu próprio poder.

Nem a verdade nem a sabedoria podem ser fabricadas; elas existem independentemente de todas as opiniões, observações, especulações e lógica; podem estar ocultas de nossa vista como o sol em um dia chuvoso; mas assim como o sol é independente de estarmos cientes de sua presença, a verdade existe eternamente, quer seja ou não reconhecida por nós. Se toda a geração da humanidade que atualmente caminha sobre esta terra se tornasse idiota, a verdade não deixaria por isso de existir, mas se manifestaria novamente como sabedoria em uma era mais esclarecida.

Nada pode ascender ao céu senão o que dele desceu; só podemos, superando o que é falso, tornar-nos receptivos para o que é verdadeiro.

Eckhart diz: — "A Sabedoria Divina é para Deus o que a luz do sol é para o sol; é uma com Ele, uma atividade necessária, uma fonte que nunca morre, tendo sua origem no coração de Deus."

Isso nos traz de volta a uma base religiosa (se nos é permitido usar esse termo maltratado e mal compreendido), e à necessidade de que aquele que faz profissão de empregar as leis da natureza e tratar do corpo do homem conheça a posição que o homem ocupa na natureza e a posição que a natureza ocupa em relação à origem da qual se origina.

Esta ciência exige não meras palavras, mas autoconhecimento.

A sabedoria só pode ser ensinada pela própria Sabedoria; mas uma ciência baseada no reconhecimento da verdade dispersa as nuvens que impedem a luz da verdade de entrar no coração e de ser incorporada e manifestada no homem.

50

III.

AS CINCO CAUSAS DA DOENÇA.

Se perguntarmos à ciência médica moderna: Quais são as causas das doenças? Provavelmente nos responderão:

1. Idade.
2. Hereditariedade.
3. Casamentos consanguíneos.
4. Sexo.
5. Temperamento.
6. Clima e localidade.
7. Cidade ou campo.
8. Condições higiênicas.
9. Ocupação.

10. Ar.

11. Doença prévia.

12. Condições mentais e morais.

13. Condições físicas externas.

14. Venenos.

15. Temperatura.

16. Dieta.

17. Doença epidêmica, contágio, malária, parasitas e crescimentos.*

Abster-nos-emos de tecer quaisquer comentários sobre esta classificação das causas das doenças, que meramente enumera certas condições nas quais as doenças podem surgir, e passaremos à classificação das causas das doenças dada por Paracelso; mas como este assunto já recebeu atenção em uma obra anteriormente publicada sobre as doutrinas de Paracelso,† o que se segue destina-se meramente a fornecer alimento adicional para o pensamento.

Paracelso diz:

"Todas as doenças têm um começo em qualquer uma das três substâncias:‡ Sal, Enxofre ou Mercúrio; o que significa que podem ter sua origem seja no reino da matéria, seja no reino da alma, seja na esfera do espírito.

Se corpo, alma e mente estão em perfeita harmonia entre si, não existe desarmonia; mas se uma causa de discórdia surge em qualquer um desses três planos, ela se comunica aos demais."

Antes de prosseguirmos, indagaremos sobre a natureza dessas três Substâncias:

Sal

I—j,      Enxofre     A      e Mercúrio    Q,

* Richard Quain, "Dictionary of Medicine", 1883. † "Paracelsus". (Londres: Trubner and Co., 1887.) ‡ A palavra "substância" vem de sub, sob, e sto, estar, e significa o princípio subjacente à existência fenomênica, a base da manifestação do poder.

É demasiado comum dar a tais termos uma interpretação errônea, e então combater o espantalho criado por si mesmo.

51

que podem ser traduzidos como Matéria, Energia e Inteligência.

Na verdade, não são três coisas essencialmente diferentes, mas apenas três modos de atividade de uma mesma coisa; pois tudo é substancial, cada coisa contém uma força latente ou ativa, em cada uma está a potencialidade da consciência, se esta já não se manifestou ali.

Tudo existe, portanto, em razão dessas "três substâncias", e se, para formarmos alguma ideia de sua natureza, considerarmos o mundo como uma manifestação da eletricidade (que necessariamente deve ser substancial, pois não poderia haver força sem substância), podemos compará-las da seguinte forma:

e

à resistência elétrica.

à tensão da força eletromotriz.

à intensidade da corrente.

Ninguém pensaria jamais nessas três medidas como entidades separadas, que, como "substância, energia e inteligência", são meramente três aspectos ou concepções de uma vida universal; mas essas distinções são necessárias para o propósito de se formar uma concepção.

"Nada pode ser completamente conhecido sem o conhecimento de seu começo.

O homem está colocado em três substâncias, em cada uma das quais ele tem um começo; e cada coisa tem sua substância, seu número e medida (constituindo sua harmonia). Do (estado de) dessas três substâncias originam-se todas as causas, origens, e também o entendimento das doenças.

Essas três substâncias, Enxofre, Mercúrio e Sal, dão a tudo sua corporeidade, tendo cada substância suas próprias qualidades.

Se essas qualidades são boas (em harmonia entre si), não haverá doença; mas se entrarem em oposição umas às outras, a doença (desarmonia) será o resultado.

(Paracelso, "Paramirum," Livro I., i, 2 e 3)."

Dentro desses três reinos, desordens podem surgir de qualquer uma das seguintes cinco causas de doença:

1. Do Ens astrale; ou seja, das condições circundantes na natureza externa.

2. Do Ens veneni; significando de venenos e impurezas.

3. Do Ens natures; incluindo causas herdadas dos pais.

4. Do Ens spirituale; especialmente aquelas causadas por uma vontade maligna ou imaginação mórbida.

5. Do Ens Dei; ao qual pertencem os males que surgem do mau Karma adquirido durante esta ou uma encarnação anterior; em outras palavras, o resultado da justiça divina.

Agora tentaremos definir o significado desses cinco começos.

I. — Ens Astrale.*

Doenças decorrentes de influências externas; seja da natureza física ou de causas mais profundas; o planeta em que vivemos sendo ele próprio um astrum (estrela), tendo um corpo físico e etéreo, uma vida, uma alma, uma mente e um espírito.

"As estrelas no céu não formam um homem. O homem cresce a partir de dois princípios; o Ens seminis (o esperma masculino) e o Ens virtutis (a mônada espiritual reencarnante). Ele tem, portanto, duas naturezas, uma natureza corpórea e uma espiritual, e cada uma dessas duas requer seu digest (matriz e nutriente). Assim como o ventre da mãe é o mundo que cerca a criança, do qual o feto recebe seu nutriente, assim é a natureza terrestre da qual o corpo terrestre do homem recebe as influências que atuam em seu organismo.

O Ens astrale é uma coisa que não vemos, mas que nos contém e a tudo o que vive e tem sensação. É aquilo que contém o ar, e do qual e no qual vivem todos os elementos, e que simbolizamos como M (Mysterium), "Paramirum," Livro I.)

Este Ens Astrorum é, portanto, evidentemente o Akdsa, que forma a base de todas as coisas materiais na natureza física, e se a estreita relação entre a natureza física do homem e a natureza física que o cerca fosse melhor conhecida, tornar-se-ia mais compreensível como os estados do éter que tudo penetra, mudanças de temperatura, calor e frio, condições elétricas e magnéticas na natureza, vêm a afetar a natureza física do homem, agindo internamente ao induzir mudanças correspondentes em seu microcosmo, mesmo que ele esteja protegido contra a ação direta da chuva, tempestade, umidade, frio, calor, etc., etc.

Uma mudança súbita de condições no ar externo pode afetar um paciente aprisionado em um quarto onde tal mudança não é perceptível, e um dia nublado produzir um efeito melancólico até mesmo sobre uma pessoa cega.

Não há fim de doenças que, por falta de melhor explicação, são atribuídas a "pegar frio", etc., enquanto na verdade é a existência de certas condições no éter que tudo permeia, que induz condições semelhantes no corpo do paciente."

Assim, por exemplo, as mudanças da lua, ou a posição da lua, ou as correntes magnéticas da terra, produzem certos efeitos em certas pessoas, mesmo que essas pessoas nada saibam sobre essas leis, pois é um fato bem conhecido dos antigos, mas que quase foi perdido de vista pela medicina moderna, que o homem, além da ordem em que seus órgãos estão dispostos, é essencialmente um contraparte da natureza, uma imagem do mundo em escala menor, um microcosmo dentro do macrocosmo.

Uma pressão atmosférica na natureza exterior produz uma pressão atmosférica nele; se a natureza se alegra com a luz solar da primavera, seu coração se alegra com ela; se tempestades assolam o exterior, tempestades semelhantes podem ser despertadas nele, etc., etc.

Ele é, de fato, apenas um laboratório no qual as forças universais da natureza realizam seu trabalho.

A este capítulo pertencem também todos os miasmas e influências contagiosas, com todas as bactérias?, micróbios, amebas?, bacilos, etc., etc., que são o orgulho dos descobridores modernos, mas cujas características, se não as formas de seus corpos, eram bem conhecidas de Paracelso, que as descreve sob os nomes de Talpa, Matena, Tortilleos, Pevmates, etc.

Ele diz:

"Deus fez existirem criaturas vivas em todos os elementos, e não há nada vazio de vida. Aquilo que se manifesta no reino visível veio à existência por ser gerado nas regiões superiores. Sem tal geração acima, não poderia ter se manifestado abaixo." ("Lib. Meteórum," I. 4.)

Desde a descoberta moderna do cólera, dos bacilos da tuberculose e de outros micro-organismos que espalham doenças contagiosas, tem sido opinião de muitos que a presença de tais micróbios era a única e fundamental causa de tais doenças; mas investigações ainda mais recentes mostraram que a presença desses micróbios não constitui a causa completa; pois eles foram introduzidos com impunidade no organismo humano, e também foram encontrados em pessoas que haviam se recuperado completamente de tal doença.

Isso certamente mostra que deve haver uma influência que faz com que os micróbios venham a existir, após o que eles podem se espalhar e se multiplicar se as condições forem favoráveis, e a causa fundamental de tais epidemias não é, portanto, a presença dos micróbios, sendo esta meramente um sintoma, mas as influências que os fazem vir à existência, produzindo estados dos quais os corpos desses organismos são um produto e expressão, e que parecem proceder de causas situadas mais profundamente do que a natureza física visível, se não confundirmos a forma com o "espírito" do qual a forma é o símbolo.

"A ciência humana sabe filosofar sobre as coisas que estão ao alcance de sua observação externa; mas a Sabedoria mostra o que está contido na Prima Materia, que é um conhecimento maior e mais elevado do que o da Ultima Materia (o plano físico)." ("Meteorum," I. 4.)

Essa "região superior", da qual se originam tais influências prejudiciais, causando o crescimento de miasmas e micróbios, é o "plano astral", ou a alma do mundo, e como os estados malignos na alma do mundo são causados pelos estados malignos da mente humana, torna-se compreensível como doenças epidêmicas, pestilência e peste, não menos que guerras, são os resultados últimos de desarmonias e estados espirituais depravados na alma da humanidade.

A maior verdade, se vista através de uma mente pervertida, aparece distorcida como uma caricatura e superstição; ela só pode ser vista em sua própria luz, se for devidamente compreendida.

O plano astral é o plano dos desejos, emoções e paixões; isto é, o plano daquelas influências (formas da vontade universal), que se manifestam como desejos, emoções e paixões no organismo animal, e se fôssemos adentrar este assunto, isso nos traria ao reino do supersensível, mas, no entanto, real reino de potências elementais vivas pertencentes à alma do mundo.

Se nossos olhos estivessem abertos à percepção dos pensamentos, ver-se-ia como uma contínua transmissão de pensamento está ocorrendo entre mentes individuais, influenciando e determinando suas ações, mesmo que não tenham consciência disso, causando não apenas doenças morais individuais, insanidades, obsessões e crimes, mas epidemias inteiras de tais naturezas.

Há um imenso campo de investigação para o psicólogo; não para aquela espécie de "psicólogos" que imaginam que a insanidade é, em todas as circunstâncias, uma perturbação das funções do cérebro por causas físicas, mas para aqueles que podem perceber que as funções do cérebro podem ser perturbadas pela ação desordenada da mente; pois, embora em muitos casos de doença cerebral seja tão difícil determinar se o distúrbio da mente ou o do cérebro existiu primeiro, como seria responder à questão: qual existiu primeiro, a galinha ou o ovo? No entanto, uma lesão dos tecidos do cérebro não ocorre sem uma causa, e essa causa, na maioria de tais casos, provém da esfera das emoções e dos pensamentos.

Se não há mente, não pode haver doença mental.

Se a mente é algo (mesmo que fosse, como alguns imaginam, o produto da função fisiológica do cérebro), deve ser algo substancial, e sendo algo substancial, é capaz de produzir efeitos substanciais; além disso, suas ações mostram uma certa ordem e harmonia, que comprovam que a mente possui uma organização.

Se essa ordem e harmonia forem perturbadas, discórdia, doença, insanidade serão o resultado.

Sem a presença da mente, nada viria à existência; sem a consciência no Todo, nenhum cérebro seria capaz de manifestar consciência, e é isso que Paracelso quer dizer quando afirma: —

"Tudo o que existe sobre esta terra também existe no firmamento (espaço). Deus não faz roupas para os homens, mas lhes dá um alfaiate."

resultado final da ação do poder construtivo na natureza.) A essência das coisas está oculta no espaço; existindo invisivelmente no firmamento, e imprimindo-se sobre as substâncias materiais, quando se torna visível ao entrar em nossa esfera de percepção." ("Meteorum", I. 4.)

Assim, temos no Ens Astrale um campo em que existem as causas de numerosos tipos de doenças; cuja compreensão completa requer uma penetração ainda mais profunda nos segredos da natureza e uma concepção mais elevada de sua constituição do que a atualmente apresentada pelas ciências naturais de hoje.

II. — Ens Veneni.

Doenças originadas de ações venenosas e impurezas em todos os três planos da existência.

Nada é venenoso ou impuro se estiver por si só; somente se duas coisas cujas naturezas são incompatíveis entre si entrarem em contato é que uma ação venenosa pode ocorrer ou uma condição impura pode ser produzida.

"Tudo é em si mesmo perfeito e bom.

Somente quando entra em relação com outra coisa é que o bem e o mal relativos passam a existir.

Se algo entra na constituição do homem, que não está em harmonia com seus elementos, um é para o outro uma impureza, e pode se tornar um veneno." ("Paramirum", II. 1.)

Não há dúvida de que a química moderna, a fisiologia e a patologia ensinam mais do que a ciência antiga no que diz respeito à constituição química, à ação fisiológica dos venenos e aos efeitos patológicos que eles produzem no corpo animal; mas explicar a ordem em que um processo ocorre não é suficiente para explicar por que ele ocorre, e ainda há um amplo campo aberto para investigação; pois atualmente só podemos registrar o fato de que certas substâncias físicas têm uma ação destrutiva sobre o corpo humano; enquanto as mesmas substâncias, com uma pequena diferença na disposição de suas moléculas, não são apenas não prejudiciais, mas até usadas como alimento;* que certas substâncias

É quase desnecessário fornecer exemplos, como, por exemplo, o apresentado pela Estricnina, composta de C21 H22 N2 O2, uma substância muito venenosa; enquanto os mesmos elementos combinados em proporção diferente estão contidos como glúten em nossos alimentos.

Se aceitarmos a teoria de que têm uma ação específica sobre a natureza emocional no homem, causando uma inclinação a certos estados de sua constituição astral, tais como irritabilidade de temperamento, raiva, cobiça, etc., o que não poderiam ter se não houvesse elementos correspondentes contidos neles; enquanto outros têm uma ação específica sobre a mente, tais como o esmaecimento da memória, paralisia da vontade, excitação da imaginação, tudo o que não poderiam realizar se não existisse neles um princípio mental substancial.

Para a ciência material, o universo é um produto de força mecânica criada por matéria inconsciente; para o idealista, é um sonho que não tem nada de real; mas visto com o olho da sabedoria, é uma manifestação de vida, com a potencialidade de consciência contida em tudo.

Amor e ódio existem nos minerais como existem nos homens, apenas em outro estado de consciência, e uma tragédia ou comédia poderia ser escrita a respeito de sua história familiar; descrevendo, por exemplo, como a bela Princesa Sódio se apaixonou e se casou com um jovem fogoso chamado Oxigênio, e como a união feliz durou até que um dia um cavaleiro ciumento, chamado Cloro, se apaixonou por ela, e embora ele próprio fosse casado com uma mulher volúvel cujo nome era Hydrogenia, ele raptou a princesa, e não restou nada para o pobre Oxigênio senão pegar a mulher abandonada e transformar-se em água com ela.

Tal história diferiria de uma semelhante encenada na vida humana apenas na medida em que os atores nesta última seguiriam inteligente e conscientemente certas leis que são promulgadas sem inteligência individual no reino mineral.

Há apenas uma Consciência e uma lei de Harmonia no mundo, e de acordo com ela surgem acordes e discórdias em todos os três reinos da natureza.

A influência da luz da verdade é um veneno para as concepções errôneas existentes dentro da mente, e os pensamentos terrenos são impurezas para a mente que aspira ao reino dos céus.

De vibração, que aparece como um resultado necessário do universo ser substância em movimento, a causa de tais segredos será facilmente encontrada nas discordâncias existentes entre as vibrações que constituem essas substâncias.

Essa teoria da harmonia também explicará por que certos produtos químicos se combinam com outros em certas proporções.

Desejos malignos criam pensamentos malignos e dão origem a atos malignos; atos bons procriam sua espécie, dando origem a bons pensamentos e aspirações, dos quais nascem bons filhos.

A soma dos desejos individuais dos homens constitui os desejos da alma do mundo; a soma dos pensamentos e opiniões da humanidade constitui a atmosfera mental pela qual o mundo em geral, e cada localidade em particular, é cercado; e o estado da mente, em última análise, expressa-se no plano externo de manifestação.

Não é mais difícil envenenar uma mente com pensamentos impuros do que envenenar um corpo com drogas.

Impuro é aquele que tem muitos desejos divergentes; pura é a mente que tem apenas uma única vontade.

A medicina popular lida apenas com efeitos externos e causas físicas; a ciência oculta vai mais fundo, buscando causas fundamentais e efeitos finais, que são de importância muito maior do que as manifestações passageiras que ocorrem na forma física.

Assim, por exemplo, uma relação sexual promíscua não apenas causa doenças venéreas; mas, como durante esse ato ocorre uma mistura das naturezas internas em certa medida, um homem que coabita com uma mulher depravada assume algumas de suas características e une, até certo ponto, seu futuro Karma e destino aos seus próprios.

A base da existência dos seres humanos é o que, por falta de melhor expressão, tem sido chamado de W7/ (Espírito ou Vida), e assim como um corpo pode colorir ou envenenar outro, da mesma forma ocorre uma coloração, e talvez envenenamento, pela mistura de espírito durante a relação sexual; essa "substância espiritual" sendo a essência de cada ser humano.

"Se uma mulher abandona seu marido, ela não fica então livre dele, nem ele dela; pois uma união marital, uma vez estabelecida, permanece uma união por toda a eternidade." ("De Homunculis.")

Aquilo que nutre uma coisa, contribui para constituir sua substância.

O corpo físico recebe seu alimento do plano físico; a alma é nutrida pelas influências que vêm da alma do mundo; o intelecto é nutrido, cresce e se expande no plano intelectual; um corpo mal alimentado torna-se doente; uma alma que vive de desejos mórbidos e anseios desmedidos torna-se depravada; uma mente alimentada com falsas teorias, erros e superstições torna-se atrofiada, pervertida e incapaz de voltar seu rosto para a luz solar da verdade.

O alimento para a alma e a mente é tão substancial para elas quanto o alimento material é substancial para o corpo material; corpo, alma e espírito sendo três estados do Uno eterno, manifestados em três diferentes planos de existência, sendo governados por apenas uma lei fundamental.

O que o estômago é no corpo, a memória é na mente.

Ambos estão relacionados entre si; um estômago dispéptico causa uma memória defeituosa e uma mente irritável; um temperamento irritável causa indigestão e esquecimento; o esquecimento pode causar desatenção, irritabilidade e dispepsia.

Alma, corpo e mente são um no homem, e distúrbios existentes em um podem causar impurezas no outro; cada paixão no homem, cada superstição em que ele firmemente acredita, é capaz de envenenar seu corpo e de produzir uma certa doença.

A crença numa salvação facilitada torna o homem indolente; a indolência causa falta de autocontrole, que causa falta de resistência a influências prejudiciais no plano físico.

Infortúnios físicos repetidos podem tornar um homem covarde, e sua covardia o impede de abandonar uma doutrina que ele intuitivamente sabe ser falsa.

A ira não é apenas prejudicial à saúde do corpo, mas afasta a razão ao confundir a mente; a cólera causa não apenas miopia mental, mas também física, e a dificuldade de audição é frequentemente a única causa de um caráter suspeitoso.

Assim, inúmeras comparações podem ser traçadas e analogias encontradas, e casos citados para provar a correção desta teoria, se nosso espaço o permitisse, e se fosse necessário provar por argumentos e fatos a verdade da unidade do todo, que deve ser evidente por si mesma a todo aquele que se der ao trabalho de buscar a resposta para tais questões dentro de si mesmo.

Mas o mais elevado não pode atuar sobre o mais baixo sem um elo intermediário que os conecte — o espírito não pode atuar sobre o corpo sem o elo de ligação da alma, nem

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a alma sobre o corpo, exceto por meio da vida.

Não podemos cozinhar um prato de sopa para um mendigo faminto por meio do fogo do amor; mas o amor move a vontade e induz ações que a mente dirige, e assim a sopa pode ser cozinhada afinal, graças ao poder do amor ou da caridade.

A maior dificuldade na compreensão das leis ocultas surge da circunstância de que não podemos perceber as causas remotas ou buscar conectá-las com os efeitos últimos sem sermos capazes de enxergar através da intrincada rede de causas intermediárias entre os dois extremos.

III.

— Ens Naturae.

Doenças que têm sua origem em certas condições inerentes à constituição do homem.

O homem é um filho perfeito da natureza.

Não há uma única essência em sua constituição que não exista na natureza; tampouco há qualquer substância ou poder a ser encontrado na natureza que não exista nele, seja atual ou potencialmente, não desenvolvido ou desenvolvido.

"Há muitos que dizem que o homem é um microcosmo; mas poucos compreendem o que isso realmente significa."

Assim como o mundo é em si um organismo com todas as suas constelações, também o homem é uma constelação (organismo), um mundo em si mesmo, e assim como o firmamento (espaço) do mundo não é governado por nenhuma criatura, também o firmamento que está dentro do homem (sua mente) não está sujeito a nenhuma outra criatura.

Este firmamento (esfera da mente) no homem tem seus planetas e estrelas (estados mentais), suas exaltações, conjunções e oposições (estados de sentimentos, pensamentos, emoções, ideias, amores e ódios), chame-os como quiser, e assim como todos os corpos celestes no espaço estão conectados uns aos outros por laços invisíveis, também os órgãos no homem não são inteiramente independentes uns dos outros, mas dependem uns dos outros até certo ponto.

Seu coração é seu ( • J , seu cérebro seu I f > o baço seu rj , o fígado //:. os pulmões Q, e os rins VyA" ("Para-mirum," III. 4.)

O homem tem dois tipos de naturezas.

Seu organismo físico é um produto daquela natureza que ele recebeu de seus pais terrestres; sua organização mental é o resultado de um tipo de evolução superior e bastante diferente.

Sua natureza terrestre inclui não apenas seu organismo visível, mas também a organização de sua forma astral e sua constituição mental.

"Há dois tipos de carne.

A carne de Adão (o corpo físico) é carne terrena grosseira; a carne que deriva de Adão é de um tipo sutil.

Não é feita de matéria grosseira, penetra através de todas as paredes sem exigir portas ou buracos; no entanto, ambos os tipos de carne têm seu sangue e ossos, e ambos diferem novamente do espírito." (Paracelso, "De Nymphis.")

Tendo o homem dentro de si as mesmas essências e poderes, e havendo apenas uma lei universal de evolução, ocorre nele um desenvolvimento semelhante, se não idêntico, ao desenvolvimento na natureza eterna e interna.

Acordes e discórdias em sua natureza podem crescer e avolumar-se em harmonias ou desarmonias, e constituir o homem inteiro como uma sinfonia ou cacofonia, colorindo todo o seu ser e transmitindo isso à sua descendência.

Uma semente de trigo e uma semente de cevada assemelham-se uma à outra, e, no entanto, trigo cresce de uma e cevada da outra.

O óvulo de um ser humano não mostra diferença essencial do de um macaco; no entanto, de um cresce um ser humano e do outro um macaco.

A natureza do homem está plenamente expressa em cada parte do seu organismo, e no esperma do pai está contida não apenas a qualidade desta ou daquela parte da sua natureza, mas a potencialidade do todo.*

A qualidade da constituição de um homem determina a duração da sua vida natural.

"Se uma criança nasce, o seu firmamento (corpo astral e mente, etc.) nasce com ela, contendo os sete princípios, dos quais cada

* No reconhecimento da lei está contida a chave para a compreensão da quiromancia, frenologia, fisionomia, psicometria, etc., e do seu valor na prática da medicina; pois, embora a forma física, devido a condições físicas externas, possa não ser uma imagem exata da natureza interna do homem, no entanto, o caráter da mente está, até certo ponto, impresso visivelmente em cada parte do corpo, e, sendo um todo e uma unidade, a totalidade desse caráter pode ser lida em cada parte do corpo, se soubermos como lê-la; no mesmo sentido em que um botânico pode dizer o caráter de uma árvore examinando uma de suas folhas, pois sabe imediatamente a que classe de árvores ela pertence.

tem as suas próprias potências e qualidades.

O que se chama 'predestinação' é apenas a qualidade dos poderes no homem.

A fraqueza ou a força da sua constituição determina se a sua vida será curta ou longa, de acordo com as leis naturais; os planetas nele cumprem o seu curso, quer ele tenha uma vida longa ou curta, apenas no primeiro caso o curso dos seus planetas é de duração mais longa, e no outro caso de duração mais curta.

A qualidade da constituição que um homem recebe no seu nascimento determina a duração da sua vida natural, assim como a quantidade de areia numa ampulheta determina o tempo em que ela terá escoado." ("Paramirum", L. I., Tr. III, C. 5.)

O *Ens Naturae* refere-se, portanto, àqueles princípios na constituição do homem que são o resultado da qualidade de seu corpo, alma e mente, tal como os recebeu da natureza, e inclui todas as doenças físicas hereditárias, qualidades de temperamento e peculiaridades mentais; pois a parte terrena da mente (*Kama Manas*) pertence à natureza terrestre e suas tendências são herdadas; enquanto a parte espiritual da mente (*Manas Buddhi*) não é herdada dos pais, mas pertence ao homem espiritual cujo pai existe na eternidade.*

Esta classe inclui todas as doenças internas originadas de distúrbios que surgem na interação das funções fisiológicas dos órgãos do corpo, ou da interação entre estas e aquelas da alma (as emoções) e da mente (os pensamentos).

Este sistema de Paracelso abrange todo o domínio da fisiologia e patologia modernas; mas penetra mais fundo, pois investiga as funções da alma e da mente, e segue o desenvolvimento de um desejo ou pensamento maligno até que finalmente encontre sua expressão em uma manifestação externa de estados patológicos visíveis.

Não é possível entrar nos detalhes deste campo da patologia dentro dos limites deste livro.

Não há indicação de que as simpatias e antipatias, em outras palavras, as relações fisiológicas existentes

* "O caráter de um homem e seus talentos, aptidão, destreza, etc., não lhe são dados pela natureza (terrestre).

Seu espírito não é um produto da natureza, mas vem do reino incorpóreo.

Não deveis dizer que ele recebe essas coisas da natureza; os sábios nunca o disseram." ("Paramirum," L. I., Tr. iii., C. 2.)

entre os diferentes órgãos do corpo humano, sejam melhor conhecidas no tempo presente do que eram no tempo de Paracelso: pelo contrário, ele fala das correntes do princípio vital que ocorrem entre esses órgãos, enquanto a anatomia moderna fala apenas de nervos, que são em relação ao "fluido vital" o que os fios elétricos são em relação à eletricidade.

"O coração envia seu espírito (força de vontade) através de todo o corpo, assim como o sol envia seu poder a todos os planetas e terras;"

a inteligência do cérebro vai ao coração e

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volta novamente ao cérebro.

O fogo (calor) tem sua origem na atividade (química) dos órgãos (os pulmões), mas permeia todo o corpo.

O liquor vitae (essência da vida) é universalmente distribuído e se move (circula) no corpo.

Este 'humor' contém muitos poderes diferentes e causa nele 'metais' (virtudes ou vícios) de vários tipos." ("Paramirum," L. I., Tr. 3.)

A respeito deste assunto, a ciência médica moderna diz: — "Uma base ampla de conhecimento positivo a respeito deste assunto não existe.

A fisiologia dos diferentes departamentos do sistema simpático de nervos está apenas agora começando a se formar, enquanto no lado da patologia e da anatomia mórbida há ainda menos conhecimento definido.

Assim, acontece que, na maior parte, apenas conjecturas, muitas vezes baseadas de forma muito insegura, são correntes, ou pode-se dizer que existem, a respeito da dependência de conjuntos definidos de sintomas, ou doenças distintas, de ações desordenadas ou mudanças mórbidas que ocorrem em uma ou outra parte do sistema simpático de nervos." ("H. Charlton Bastian.")

Tanto a ciência antiga quanto a moderna estão certas até onde vão; apenas enquanto a ciência moderna dedica toda a sua atenção às formas (órgãos, nervos, etc.), que são meramente os produtos de certos princípios e poderes e os instrumentos para sua atividade, a ciência antiga lida com esses próprios poderes, levando apenas em consideração secundária os instrumentos visíveis nos quais e através dos quais eles se manifestam.

A ciência moderna, por assim dizer, estuda os movimentos musculares de um músico; a ciência oculta conhece a arte da música em si.

A ciência material é o servo que mistura as tintas para o pintor; o verdadeiro médico é o artista que sabe como pintar.

Uma estuda as ferramentas que o trabalhador usa; a outra vê também o próprio trabalhador.

Essas comparações não são feitas com o propósito de lançar descrédito sobre a ciência médica moderna, nem com o propósito de culpar qualquer médico moderno por não empregar poderes que ele não possui; mas com o propósito de indicar que o conhecimento dos fenômenos físicos e das formas visíveis não é o limite de todo o conhecimento alcançável, e que existe um tipo de conhecimento mais elevado e mais importante, baseado em uma percepção superior, tal como só é alcançado através do desenvolvimento superior do caráter espiritual do homem; o que se torna possível somente quando a presunção e a vaidade terrenas são superadas e quando, ao elevar-se mais alto, ele percebe a nulidade da ilusão terrestre do "eu".

IV. — Ens Spirituale.

Doenças decorrentes de causas espirituais.

"Espírito" — de spiro, soprar — significa hálito.

"Hálito" significa um poder, bastante distinto da força mecânica, por ser dotado de consciência, vida e inteligência.

Em seu aspecto como poder universal, significa o sopro de Deus que fez o universo passar de um estado subjetivo para a existência objetiva; em seu aspecto individual, significa o poder espiritual que habita no homem.*

O Espírito é Consciência em todos os planos da existência; mas disso não se segue que todas as formas nas quais ele habita manifestem necessariamente autoconsciência ou sequer estejam conscientes da existência.

Para a manifestação da perfeita autoconsciência espiritual, é necessário um organismo espiritual, tal como um homem comum não possui, se não tiver renascido no espírito.

Nas formas do reino mineral, a presença do espírito é perceptível pelas manifestações da vida mineral; no reino vegetal, pelas manifestações da vida vegetal; e no reino animal, pelas manifestações da vida animal, pois o espírito é em si a

* "Então o pó voltará à terra, como era, e o espírito voltará a Deus, que o deu." (Eclesiastes, xii, 7.)

base da vida no mundo físico, astral, intelectual e espiritual; e assim como o espírito do universo é o sopro espiritual de Deus, que emana do centro e a ele retorna, assim também o espírito do homem é o poder espiritual que entra em sua constituição e dele emana novamente quando o corpo morre.

"Espírito é aquilo que nasce de nossos pensamentos; imaterial e no corpo vivo.

Aquilo que nasce após nossa morte é a alma." ("Paramirum," L. I., C. iv., 2.) "O espírito não nasce do raciocínio, mas da vontade." (Ibid., 3.)

"Espírito", em outras palavras, é uma forma de Vontade dotada de pensamento; um poder espiritual, nem bom nem mau em si mesmo; mas que se torna bom ou mau conforme o propósito para o qual é empregado.

Suas funções são querer, imaginar e lembrar.

Muito se tem escrito sobre o poder da vontade e da imaginação na Natureza, por meio do qual os tipos existentes na memória da mente universal continuamente encontram reexpressão em formas físicas visíveis;* neste lugar temos de tratar apenas das qualidades dessas três funções e dos efeitos que produzem no corpo do homem.

Nas três divisões anteriores deste capítulo, tivemos sob nossa consideração as causas das doenças originadas na parte terrestre da constituição humana; este e o seguinte tratam de sua parte espiritual.

"Há dois sujeitos no homem: um é um ser material, o outro um ser espiritual (corpo-pensamento), impalpável, invisível, sujeito às suas próprias doenças (discórdias); um pertencente ao mundo material, o outro ao mundo espiritual, cada um tendo seus próprios estados de consciência, percepção e memória, suas próprias associações com seres de sua espécie.

No entanto, ambos são um durante esta vida, e o espírito influencia o corpo; mas não o corpo o espírito.

Portanto, se o espírito está doente, é inútil tratar o corpo; mas se o corpo está doente, pode ser curado administrando-se remédios ao espírito." (Lib. "Paramir.," I., iv., 4 e 7.)

Esta parte espiritual, ou o corpo de pensamento do homem, é o veículo para o espírito reencarnante, quando a individualidade espiritual evolui uma nova personalidade sobre a terra.

* Ver: "Magia, branca e negra," "Paracelsus," "Boehme," etc.

E

Para o propósito de compreender o que é dito na divisão seguinte deste capítulo, será necessário entender a teoria da Reencarnação, da qual só podemos apresentar um esboço dentro do espaço desta obra.

H. P. Blavatsky diz que aquilo que reencarna é:

"O Ego espiritual pensante, o princípio permanente no homem, ou aquilo que é a sede do Manas. Não é Atma, nem mesmo Atma-Buddhi, que é o homem individual ou divino, mas Manas; pois Atman é o Tudo Universal, e se torna o Eu Superior do homem somente em conjunção com Buddhi, seu veículo, que o liga à individualidade (ou ao homem divino)." *

A ressurreição do corpo físico é uma superstição moderna na qual nenhum dos antigos filósofos ou verdadeiros cristãos jamais acreditou, f

Vontade.

"Vontade" vem de *willan*, desejo; mas é bem distinta daquele desejo egoísta que é o resultado das fantasias do cérebro; a verdadeira vontade é um poder forte que vem do centro, do coração, e em seu aspecto mais elevado é aquele poder criativo que chamou o mundo à existência.

Todas as ações voluntárias e involuntárias na natureza e no organismo do homem originam-se na ação da vontade, estejamos ou não conscientes disso.

"Você não conhece uma décima parte do real poder da vontade." (Paracelsus, "Paramir.," I., iv., 8.)

No plano físico, a vontade age, por assim dizer, inconscientemente, executando cegamente as leis da natureza, causando atrações, repulsões, guiando as funções mecânicas, químicas e fisiológicas do corpo sem que a inteligência do homem tome parte no processo. O homem é ele-

* "Chave para a Teosofia," p. 121 (Londres, 1889). f "Há um organismo invisível no homem, não colocado dentro das três substâncias; um corpo que (diferente do material) não vem do Limbus (matéria), mas tem sua origem no sopro vivo de Deus."

Não é um corpo que vem à existência após a morte, para ressuscitar no dia do juízo; pois o corpo físico, sendo uma não-entidade (irreal), não pode ser ressuscitado após a morte, nem seremos chamados a prestar contas sobre nossa saúde e doença físicas; mas seremos julgados de acordo com as coisas que emanaram de nossa vontade.

Este corpo espiritual no homem é a carne que vem do sopro de Deus.

Há dois corpos, mas apenas uma carne." ("Paramir.," Lib. II., 8.)

6?

O eu é uma manifestação da vontade, e a vontade (espírito) nele pode realizar muitas coisas sem depender da atividade intelectual do cérebro; tudo o que é deixado sem explicação pela fisiologia moderna, embora ela não possa negar os fatos.

Assim, um pianista experiente não precisa determinar primeiro qual movimento deve dar aos músculos de seus dedos antes de tocar uma tecla; mas ele o faz instintivamente depois que seu espírito foi educado para isso. Andar na corda bamba, proezas ginásticas e atos de todos os tipos são produtos de uma vontade treinada, e seriam impossíveis sem isso.

Eles podem ser supervisionados pelo intelecto, mas não são guiados por ele. Sua esfera de ação é limitada à do corpo em que habita.

Em seu aspecto superior, a vontade é um poder consciente, manifestando-se como emoções, virtudes e vícios de vários tipos.

Sua esfera de ação se estende até a esfera da influência da mente individual.

Assim, a vontade de uma pessoa superior exerce influência sobre seus inferiores, um professor sobre seus alunos, um general sobre seu exército, um sábio sobre o mundo.

Em seu aspecto mais elevado, a vontade se manifesta como um poder autoconsciente, capaz de agir muito além dos limites da forma corpórea da qual emana, constituindo, por assim dizer, um ser espiritual organizado e independente, agindo sob a orientação da inteligência da pessoa da qual nasce.

Por mais estranha que esta afirmação possa parecer, é no entanto verdadeira, e os fenômenos agora aceitos de "hipnotismo" abriram a porta para a compreensão de tais fenômenos.* Uma investigação sobre este assunto nos levaria ao reino da magia, do espiritismo, da feitiçaria, da bruxaria, etc., etc., o que não pertence ao nosso propósito atual, e que foi tratado em uma obra anterior.†

* Qualquer pessoa que deseje informações sobre tais pontos pode encontrá-las na literatura do espiritismo, da feitiçaria medieval, nas "Vidas dos Santos", etc., etc.

Volumes poderiam ser preenchidos com tais relatos, mas os fenômenos são provas apenas para aquele a quem ocorrem.

Uma pessoa sem experiência de algo está sempre em liberdade de negar sua existência, e é muito mais fácil chamá-lo de "superstição" do que chegar à sua compreensão estudando leis secretas.

† "Ver: Thomson Jay Hudson. 'The Law of Psychic Phenomena.'"

Assim como uma vontade maligna é a causa de muitas doenças, uma boa vontade é um grande remédio para curá-las.

Enquanto dois tolos se hipnotizando mutuamente produzirão uma mistura de tolice, o poder mágico da vontade benevolente autoconsciente de um médico esclarecido é capaz de despertar a confiança e restaurar a saúde em muitos casos onde todos os remédios da farmacopeia são inúteis, e o cultivo desse poder é, portanto, de suprema importância, ainda mais do que o conhecimento de todos os detalhes a respeito da ação das drogas.

Ciência e sabedoria devem ser cultivadas juntas, mas não a primeira às custas da segunda.

Imaginação.

"Imaginação" significa o poder da mente de formar imagens; desde as imagens sombrias de um sonho até as imagens corpóreas e vivas formadas pelo poder de um Adepto.

Essa faculdade, que era bem conhecida dos antigos sábios que a possuíam, é quase inteiramente ignorada pela ciência médica popular, que, apesar de suas recentes descobertas do que agora se chama "sugestão", ainda não parece suspeitar da extensão de seu poder.

É um poder cuja aplicação não pode ser ensinada àqueles que não o possuem, e são muito poucos os que têm esse poder desenvolvido; pois a nossa geração atual é de uma espécie preeminentemente adâmica (terrestre) e impotente; levando uma vida de sonho, e sendo ela própria composta de sonhos, a sua imaginação é tão débil quanto um sonho.

O verdadeiro poder da imaginação ativa e eficaz pertence ao homem espiritual interior, que na vasta maioria da humanidade ainda não despertou para a vida.

Somente quando homens e mulheres tiverem entrado na verdadeira vida — em outras palavras, quando o espírito neles se tiver tornado autoconsciente — é que poderão possuir e exercer poderes espirituais, tais como os que constituíram os Arcana de Teofrasto Paracelso, sobre os quais tem havido tanta especulação na literatura moderna e, no entanto, tão pouco realmente conhecido — a pedra de tropeço e fonte fecunda de erro para tantos dos nossos modernos observadores superficiais.*

* "Arcanum" significa mistério.

A chave para um mistério é a sua compreensão.

Os Arcana de Paracelso não eram, como se tem afirmado

Não culpamos a ciência médica popular por não saber aquilo que não sabe; mas cremos que a presunção daqueles que figuram temporariamente como representantes da ciência, e que dogmaticamente declaram inútil e absurdo tudo o que não possuem, não deveria ser encorajada.

Não faz muito tempo que a ciência reconhecida ria da rotundidade da Terra, e declarava oficialmente que nenhum meteoro poderia cair do céu "porque não havia pedras no céu;"; denunciava a crença em "fenômenos psíquicos" como sendo uma superstição degradante, e ridicularizava a ideia de construir barcos a vapor e telégrafos, etc.

Esses erros não se originam da ciência, mas da estúpida ignorância e presunção; são o resultado de enfermidades humanas, que existem agora como nos tempos antigos, e só podem ser curadas pelo desenvolvimento de um poder superior para conhecer a verdade.

Memória.

A terceira grande potência do espírito manifestada na mente é o poder da memória, que é, de fato, o poder do espírito humano de visitar aqueles lugares dentro da esfera de sua mente onde as impressões de experiências anteriores são preservadas e, assim, trazê-las novamente para o campo da consciência.

Qualquer que seja a função que o cérebro físico possa exercer ao usar essa faculdade do espírito, o cérebro não é mais a memória do que o olho é a visão; ele é meramente um instrumento para a percepção, mas não o percebedor, nem o objeto da percepção, nem a própria percepção.

Lembrar de uma coisa é ver sua impressão ou imagem na Luz Astral; recordar uma coisa é reunir a própria atenção no lugar onde sua impressão está armazenada na mente, e o poder que capacita uma pessoa a fazer isso é a relação que existe entre o criador e suas criaturas; o homem, tendo formado um pensamento ou ideia, ou percebido uma imagem, é capaz de recordá-la, porque a

por certas "autoridades", medicamentos patenteados cuja composição ele mantinha em segredo; mas eles eram seu conhecimento dos meios para efetuar uma cura.

Ele diz: — "Se há uma pedra na bexiga, o arcano é a faca (para realizar a litotomia), na mania (aguda) a flebotomia é o arcano.

Um arcano é o entrar em um novo estado, o dar à luz a uma coisa nova." (Lib.

"Paramir.", I. 5, II. 2.) Cada plano de existência tem seus próprios mistérios e remédios arcanos.

impressão é sua criação — tendo emanado de si mesmo, é uma parte de seu mundo.

Depende do grau de poder espiritual de percepção no homem se ele pode ver clara e vividamente essas imagens na Luz Astral, ou se elas lhe aparecem turvas, incertas e indistintas; mas na vasta maioria dos homens e mulheres de nossa geração atual, esse poder de perceber não penetra mais fundo nem se eleva mais alto do que a Luz Astral, enquanto o homem espiritualmente desenvolvido pode penetrar mais fundo e contemplar as memórias não apenas de sua presente encarnação, mas também aquelas referentes a seus estados anteriores de existência.

Vontade, Imaginação e Memória são a causa de muitas doenças, e tais podem ser causadas pelo uso pervertido dessas faculdades, ou por serem praticadas sobre outrem.

Um pensamento de qualquer espécie, seja maligno ou virtuoso, se tornado forte e substancial pelo consentimento da vontade, nasce no mundo interior como um ser elemental, que cresce ao ser cultivado, de modo que pode, por fim, obsessar seu próprio pai e produzir efeitos visíveis no corpo físico.

A imaginação dos animais produz mudança na cor de sua prole; a imaginação de uma mãe pode produzir marcas na criança; a recordação de eventos malignos e manter tais memórias constantemente na mente dá origem à melancolia, mau humor e desânimo, raiva, ganância, luxúria, avareza, etc.

Todas as formas de mal produzirão não apenas estados mórbidos da mente, mas também certas mudanças definidas no corpo físico; tudo isso oferece um vasto campo para uma ciência da psicologia no futuro.

Uma exposição de tal ciência mental não pode ser tentada dentro do espaço limitado desta obra; mas já existe uma vasta quantidade de literatura sobre esse assunto, ignorada pela ciência oficial.

V. — Ens Dei.

Doenças decorrentes da Retribuição Eterna.

Uma definição da palavra "Deus" é uma impossibilidade, porque se refere a um estado além da concepção da mente limitada.

Eckhart diz: — "Um deus de quem eu pudesse conceber não seria um deus, mas uma criatura limitada." Portanto, só podemos dizer que Deus é a vontade universal em seu aspecto mais elevado como amor divino; que é a lei suprema e a vida de todas as coisas.

Uma consequência necessária da ação da lei divina é a justiça divina; porque seria impossível imaginar como um ser poderia ser favorecido sem fazer injustiça a outro, e assim privar a lei do amor divino universal de sua unidade e igualdade.

Essa lei divina de justiça, segundo a qual toda causa criada por um ser racional retorna com todos os seus efeitos ao seu criador, é chamada no Oriente de lei do Karma, e pode ser traduzida como a lei da Retribuição Eterna.

H. P. Blavatsky diz: —

"Karma é a lei infalível que ajusta o efeito à causa, nos planos físico, mental e espiritual do ser.

Assim como nenhuma causa permanece sem o seu devido efeito, do maior ao menor, de uma perturbação cósmica até o movimento de sua mão, e como o semelhante produz o semelhante, Karma é aquela lei que ajusta sabiamente, inteligentemente e equitativamente cada efeito à sua causa, remontando esta última ao seu produtor." *

Esta lei do Karma é, na linguagem comum, chamada de Vontade de Deus; o que significa a ação da justiça divina em todo o universo, e é a causa não apenas dos males sociais, das distinções de classes na sociedade, da distribuição desigual de riqueza e conforto, boa sorte e infortúnio, mas também dos defeitos de caráter, anormalidades mentais e doenças físicas.

Todas as doenças, de fato, são efeitos da lei do Karma, os efeitos de causas que estão todas baseadas em uma Lei universal; mas isso não deve ser entendido como se significasse "fatalidade", ou como se nada pudesse ser feito para curar tais efeitos; pois Karma é também a fonte do bem, e se o paciente encontra um médico capaz de curá-lo, isso prova que era seu Karma encontrá-lo e que ele deveria ser curado

por ele.

♦ "Toda saúde e toda doença vêm de Deus, que também fornece o remédio.

Cada doença é um purgatório, e nenhum médico pode efetuar uma cura até que o tempo desse purgatório termine.

Médicos ignorantes são os demônios desse purgatório; mas um médico sábio é um anjo redentor e um servo de Deus.

O médi- * "Chave para a Teosofia", de H. P. Blavatsky, p. 201.

co é um servo da natureza; e Deus é o seu Senhor.

Portanto, nenhum médico realiza uma cura a menos que seja a vontade de Deus curando o paciente através dele." ("Paramir.", I., C. iv., 2 e 7.)

Conhecer a teoria de uma coisa é uma ciência; saber usá-la com sucesso é arte.* Era a visão dos antigos filósofos, e será também a visão do médico do futuro, que a Medicina não é meramente uma ciência, mas uma arte sagrada, e que uma mera ciência sem verdadeira bondade e sabedoria é desprovida de valor real.

A prática da medicina deve basear-se não meramente em teorias científicas a respeito das leis daquela parte da natureza que é o seu plano mais baixo de manifestação, o plano das aparências físicas; mas, no fundo de toda ciência, deve estar o reconhecimento da própria Verdade eterna.

A saúde e a doença no homem não são determinadas apenas por leis físicas, tais como as que governam as ordens mais baixas do ser; tampouco as leis da Natureza são criadas pela Natureza; mas todas as leis naturais são o resultado da lei espiritual atuando na Natureza, e naqueles reinos onde a inteligência desempenha um papel, onde a vontade começa a tornar-se livre e a responsabilidade individual tem lugar, uma ação mais direta da lei divina torna-se manifesta.

Embora, portanto, um conhecimento das leis da natureza física seja extremamente útil e necessário, o estudante de medicina deveria, acima de tudo, cultivar a nobreza e a espiritualidade de caráter, tais como são o resultado do reconhecimento da lei fundamental da Sabedoria Divina, sobre a qual se baseia toda a ordem e harmonia que existe no mundo.

Assim, a prática da medicina tem por seu*

* A causa de certa doença pode existir não apenas em uma dessas cinco classes, mas em mais.

Por exemplo, uma hemorragia do útero pode ser causada por excitação mental em conexão com um estado de fraqueza de resistência nos tecidos dos órgãos; a insanidade pode ser causada por circunstâncias mentais, morais ou físicas; a cegueira pode ser o resultado de causas físicas ou de excitação mental; um defeito corporal, o resultado de Karma pré-natal, ou de causas físicas.

Na engrenagem da natureza, todas as rodas estão conectadas por uma corrente comum.

Portanto, não apenas uma dessas causas, mas todas elas devem ser conhecidas e levadas em consideração; mas cada um dos correspondentes cinco métodos de tratamento contém em si todos os elementos para efetuar uma cura.

Portanto, não é necessário que um médico pratique todos os cinco métodos de tratamento; mas deve ter um conhecimento profundo do método que escolheu, ser bem versado nele e ater-se ao seu método; contudo, não deve acreditar que o seu próprio método seja o único verdadeiro, e rejeitar outros dos quais nada sabe.

A medicina não tem um fundamento meramente técnico, e não é apenas um ofício ou profissão, na qual qualquer um possa entrar, se assim o escolher, com o propósito de ganhar a vida; mas exige, como seu objetivo legítimo, o emprego de faculdades que são o resultado de um desenvolvimento dos elementos mais elevados e nobres, a parte espiritual na constituição do homem.

IV. AS CINCO CLASSES DE MÉDICOS.

Havendo cinco causas de doença, e devendo cada doença ser tratada com referência à sua causa, podem distinguir-se cinco modos distintos de tratamento, os quais, no entanto, não devem ser confundidos com cinco sistemas diferentes, que qualquer um possa escolher a seu bel-prazer, pois cada um desses modos requer a posse de certas qualificações naturais distintas, das quais as mais elevadas atualmente só raramente se encontram.

Enquanto a ciência dos métodos inferiores, tais como prescrever drogas, usar água quente ou fria, ou aplicar quaisquer outras forças físicas, pode ser facilmente ensinada a qualquer pessoa dotada de inteligência comum, a verdadeira arte da medicina exige dons e talentos mais elevados, que não podem ser adquiridos de outra forma senão de acordo com a lei da evolução espiritual, pelo desenvolvimento superior do homem interior.

Um médico que possua os poderes conferidos pela sabedoria pode também adquirir um conhecimento das visões médicas e das tecnicidades que constituem o acervo das ordens inferiores de médicos; mas um médico de ordem inferior não pode praticar a arte da ordem superior sem ser iniciado nessa ordem por meio do desenvolvimento do poder necessário para tal.

Isto tornará claro que a qualidade do próprio médico é de tanta importância quanto o sistema que ele pratica, e Paracelso distingue cinco classes de médicos: as três classes inferiores que buscam seus recursos no plano material; as duas classes superiores que empregam remédios pertencentes ao plano suprassensível; mas ele também diz que, devido à unidade da natureza, qualquer uma dessas classes de médicos pode realizar curas em qualquer um dos cinco campos, e que nenhum médico deveria mudar de um sistema para outro; mas cada um deveria ater-se àquela "seita" à qual naturalmente pertence.

Essas cinco classes de médicos ele descreve da seguinte forma: 1. *Naturales*; aqueles que empregam remédios físicos, agindo por oposição; o que significa usar meios físicos e químicos, calor contra o frio, etc., etc. (Alopatas).

2. *Specifici* — Aqueles que empregam certos remédios que a experiência mostrou agirem de modo específico (Empíricos, Homeopatas).

3. *Characterales* — Aqueles que empregam os poderes da mente; agindo sobre a vontade e a imaginação do paciente (Curadores mentais, Cura pela mente, Mesmerismo, etc.).

4. *Spirituales* — Aqueles que possuem poderes espirituais, usando o poder mágico de sua própria vontade e pensamento (Magia, Psicometria, Hipnotismo, Espiritismo, Feitiçaria).

5. *Fideles* — Aqueles por meio de quem obras "milagrosas" são realizadas no poder da fé verdadeira (Adeptos).

Em qualquer uma dessas cinco "seitas" ou faculdades a que um médico pertença, ele deveria ser profundamente versado e experiente nesse departamento, tendo não apenas um conhecimento superficial, mas um conhecimento profundo dele.

"Em qualquer faculdade em que alguém deseje adquirir um grau e obter sucesso, ele deveria, além de considerar a alma e o corpo doente do paciente, esforçar-se para obter um conhecimento profundo daquele departamento, e ser ensinado mais por sua própria intuição e razão do que pelo que o paciente possa lhe dizer; ele deveria ser capaz de reconhecer a causa e a origem da doença que trata, e seu conhecimento deveria ser inabalável e não sujeito a dúvidas." ("Paramir.", I., Prólogo.)

Existem, portanto, em cada uma dessas classes, três graus a distinguir, a saber: (1) aqueles que possuem todos os requisitos de sua arte; (2) aqueles que alcançaram apenas a mediocridade; (3) ignorantes, pretensiosos e fraudadores; aos quais pertence a vasta gama de charlatães licenciados e não licenciados, que prosperam sobre a ignorância e a credulidade do povo e, por meio de seus venenos e drogas, "matam anualmente mais pessoas do que a guerra, a fome e a peste juntas." Mas nenhuma dessas cinco classes de médicos deveria considerar seu próprio sistema como o único verdadeiro, e rejeitar os outros ou considerá-los inúteis; pois em cada um está contido o pleno e perfeito poder de curar todas as doenças que provêm de qualquer uma das cinco causas, e cada um terá sucesso se tal for a vontade da Lei.

I. — Naturales.

A esta classe pertence o vasto exército do que hoje é geralmente denominado "praticantes regulares", significando aqueles que se movem nos velhos trilhos da ciência médica oficial, desde o médico mais ou menos progressista até o vendedor de drogas.

Os remédios que empregam pertencem aos três reinos da natureza física e, de acordo com os elementos que representam, podem ser divididos da seguinte forma:

1. Terra. — Isto inclui todas as substâncias minerais, vegetais e animais que possam ser necessárias para fins médicos, drogas, ervas e suas preparações, agentes químicos, etc.

2. Água. — A isto pertence a cura pela água, banhos quentes e frios, e tudo o que possa estar relacionado a ela.

3. Ar. — Os resultados terapêuticos que podem ser alcançados por meio da inalação de certos gases e vapores são atualmente relativamente pouco conhecidos, exceto na medida em que mudanças de clima são utilizadas para tais fins.

O emprego de coisas como ar puro, luz solar, etc., é simples demais para encontrar plena apreciação de seu valor por uma geração cujo modo de pensar é complicado demais para permitir-lhes perceber verdades simples, e é, portanto, considerado como pertencente mais à "higiene" do que à "terapêutica".

4. Fogo.

— Entre os agentes pertencentes a esta classe podem ser contados qualquer tipo de energia, calor e frio, luz solar e as ações de seus raios de diversas cores,* eletricidade física, magnetismo mineral, etc., todos os quais têm assim

* O poder calmante do azul, os efeitos excitantes do vermelho, os efeitos revigorantes do amarelo, etc., merecem muito mais atenção do que recebem atualmente.

A razão pela qual a "cura pela luz azul" causou apenas uma excitação passageira é porque foi usada indiscriminadamente e suas leis não foram compreendidas.

até agora recebido muito pouca atenção da medicina moderna; enquanto os antigos empregavam tais remédios para a cura de muitas doenças.*

5. Éter.

— O elemento único e sua ação são até agora dificilmente admitidos teoricamente pela ciência moderna e praticamente quase desconhecidos.

Somente muito recentemente um grande passo de progresso nessa direção foi dado pela descoberta da ação terapêutica do éter solar, e pelo emprego de um aparelho para a utilização de suas radiações.†

Mas a esfera de atividade para o médico natural não se limita à extensão do mero plano físico.

Se ele der um passo adiante, poderá empregar não apenas os produtos da vida, mas a atividade da própria vida, em uma forma superior.

† As fontes das quais ele recebe os remédios físicos são os produtos físicos da natureza; as fontes das quais ele extrai poderes vivos são os organismos vivos.

A este departamento pertence o emprego do "magnetismo animal"; a transferência de vida (Múmia); o transplante de doenças‡ e coisas semelhantes, minuciosamente descritas por Paracelso, Cornélio Agripa e outros, mas que para a nossa atual ciência médica oficial não existem.

Mesmo aqueles que empregam apenas princípios materiais grosseiros também empregam, sem disso ter consciência, os princípios superiores neles contidos; pois toda substância física, a qualquer reino da natureza que pertença, é uma expressão não apenas de um dos quatro elementos, mas de todos os quatro, e contém todos os princípios superiores.

Assim, por exemplo, foi demonstrado que a ação de certas drogas corresponde à das cores que elas exibem no espectro solar;|| cada estado da matéria também corresponde a um certo estado de tensão elétrica; cada partícula de alimento prova a presença do princípio vital nela contido

* "Paracelso", p. 141. † O Professor O. Korschelt, de Leipzig, inventou um instrumento para esse fim.

I Ver "Paracelso", p. 138. ■IT Todas as forças podem se manifestar sob uma forma tríplice.

Existem "ímãs" universais, animais e espirituais; uma eletricidade física, uma eletricidade da vida, uma eletricidade espiritual, etc., etc.

|| Princípios de Luz e Cor, de Dv Babbitt.

por ser nutritiva; cada droga venenosa que atua sobre a mente mostra, por isso mesmo, que o princípio mental nela contido se encontra em alto estado de atividade.

Não existe "matéria morta" no universo; cada coisa é uma representação de um estado de consciência na natureza, mesmo que seu estado de consciência difira do nosso e esteja, portanto, além do alcance do nosso reconhecimento; tudo é uma manifestação da "Mente", mesmo que não exiba quaisquer funções inteligentes, ou o que sejamos capazes de reconhecer como tais.

Para a compreensão dessas coisas, a posição adotada pela ciência natural moderna é totalmente insuficiente, e exige-se um conhecimento filosófico tal que constitua o primeiro pilar no templo da medicina.

Há um vasto campo ainda inexplorado pela ciência médica moderna, e se coisas que eram conhecidas pelos antigos não são conhecidas atualmente, não é porque tais ciências nunca existiram, mas porque deixaram de ser compreendidas devido à tendência materializadora desta era.

II. — Specifici.

A esta classe pertencem todos os médicos que, sob certas circunstâncias, empregam certos remédios, dos quais sabem por experiência que, sob circunstâncias semelhantes, remédios semelhantes se mostraram eficazes.

Este sistema pode, portanto, ser chamado de "Empirismo" e constitui a maior parte da terapêutica moderna; pois o pouco que hoje se conhece sobre as ações fisiológicas e terapêuticas dos medicamentos é, no geral, resultado da observação, e não de um conhecimento das leis fundamentais da natureza que fazem os medicamentos agirem como agem.

O calor é um remédio específico para o frio, e a umidade para a secura; mas até mesmo os remédios mais opostos frequentemente têm o mesmo efeito específico.

Assim, por exemplo, a dor causada por uma inflamação, e a própria inflamação, podem ser curadas tanto por aplicações frias quanto quentes na parte inflamada; pois em um caso as paredes dos vasos sanguíneos se contraem, diminuindo a quantidade de sangue que a eles aflui, enquanto no outro caso esses vasos se dilatam, tornando o afluxo de sangue indolor e fácil.

A ação específica dos produtos químicos deve-se às suas afinidades químicas (harmonias). Assim, a ação revigorante resultante da inalação de ar puro é causada pela afinidade que o Oxigênio tem pelo Carbono no sangue, e pelo princípio vital do ar sobre o princípio vital no corpo.

Assim, os bacilos da tuberculose nos pulmões podem ser destruídos pela ação específica de certos gases, que, inalados, formam certos compostos químicos com certos elementos contidos nesses micro-organismos, e assim causam sua destruição.* Tudo no universo acontece por uma razão determinada e tem uma ação específica que depende de certas condições.

Se conhecermos as leis e as condições, a experiência torna-se uma ciência; mas onde nossa ciência é cega, a experiência pode ser nosso guia.

O semelhante conhece o semelhante.

Os sentidos físicos apenas reconhecem coisas físicas; mas todas as coisas visíveis são uma expressão da alma, e o que podemos saber sobre a Alma das Coisas, se não conhecemos aquela alma que é a nossa própria? Não pode haver movimento, onde não há emoção para produzi-lo, seja direta ou indiretamente.

Todos os movimentos são manifestações de energia; a energia é uma manifestação da consciência; a consciência é um estado da mente; a mente é um veículo para a manifestação do espírito; o espírito é o "Sopro" pelo qual o mundo foi criado.

Se as cores dos Tattwas e sua natureza fossem estudadas, um novo campo para a ciência médica se abriria. Tornar-se-ia possível explicar por que um maníaco furioso mantido em um quarto de luz azul se acalmará, e uma pessoa melancólica melhorará em um quarto cheio de trapos vermelhos ou amarelos; por que um boi se excitará à vista do vermelho, e uma multidão se enfurecerá à vista do sangue. Onde as leis em consequência das quais certos efeitos ocorrem são desconhecidas, só podemos registrar os fatos. Se reconhecemos uma verdade pela experiência, podemos fazer uso dela, deixando à ciência cética que chegue ao seu reconhecimento mancando sobre suas muletas de observação externa e inferência.

* F. Hartmann, "Eine neue Heilmethode." W. Friedrich, Leipzig, 1893: 80

Essas inferências são frequentemente extraídas de premissas erradas; efeitos confundidos com causas; drogas administradas onde as fontes das doenças existem em condições morais e mentais sobre as quais as drogas não têm efeito, etc., etc.

A aplicação de remédios específicos requer, portanto, não apenas um conhecimento de que este ou aquele remédio efetuou tais e tais curas, mas também um conhecimento das circunstâncias em que produzirá tais efeitos novamente. O verdadeiro Arcano é a compreensão da relação existente entre causa e efeito. Para aqueles praticantes míopes que veem em toda doença nada além da manifestação de uma causa puramente física ou química, e para quem "mente", "alma" e "espírito" são termos sem significado ou meramente funções fisiológicas da matéria inconsciente, os Arcanos de tais curas permanecerão sempre mistérios incognoscíveis; pois só podem ser conhecidos por aqueles que compreendem a organização da natureza interior do homem.

Os fenômenos causados pela vida são incompreensíveis enquanto a vida for considerada um produto de formas sem vida; mas aquele que é capaz de ver em todo ser vivo uma manifestação da Vida Una que permeia toda a natureza, uma função da vontade universal, já adentrou os recintos daquela ciência superior, que não pode ser explicada por palavras, se não for conhecida pelo coração.

III.

— Characterales.

Um médico desta classe é aquele cuja simples presença inspira no paciente a confiança na recuperação. Consciente ou inconscientemente, tal médico atua sobre os dois grandes poderes motrizes na constituição do paciente, a saber, sua vontade e sua imaginação.

Aquele que pode restaurar a tranquilidade da alma criando confiança, cria a condição necessária para a cura da perturbação dos elementos que produzem a discórdia.

Todos os processos que ocorrem no corpo físico originam-se na ação inconsciente ou consciente da vontade e da imaginação, às quais deve ser acrescentado o poder da memória; pois a existência de impressões anteriores, consciente ou inconscientemente, produz certos estados na imaginação, que por sua vez determinam a direção da vontade.

O médico comum frequentemente emprega esses poderes sem o saber; um médico da classe superior pode empregá-los inteligentemente.

Uma forte emoção súbita pode, num momento, curar uma afecção paralítica de longa data; um perigo súbito pode despertar a vontade inconsciente.

Talvez, na maioria dos casos, não seja aquilo que o paciente toma, mas aquilo que ele imagina que o curará, que efetua a cura; e sem esse poder da imaginação, muito poucos medicamentos produziriam quaisquer resultados benéficos.

A este departamento pertencem o chamado "hipnotismo" e a "sugestão", duas coisas antigas descritas sob novos nomes.

Paracelso diz sobre essa ação da vontade espiritual:

"É como se alguém ordenasse a outro que corra, e ele corre. Isso se dá por meio da palavra e através do poder da palavra; sendo a palavra o caráter." ("Paramir.", Prólogo III.)

O chamado "hipnotismo" é a superação de uma vontade fraca por uma mais forte.

A vontade superior do médico supera a vontade do paciente e a força a agir em uma determinada direção.

É uma arte que é praticada contínua e constantemente por uma metade da humanidade sobre a outra metade, desde o poder de vontade de um general comandando seu exército até a influência inconsciente exercida sem saber por uma mente sobre outra, sem que o sujeito esteja ciente de sua fonte.

Pensamentos malignos originados em uma pessoa criam impulsos correspondentes em outras, e se a ação inconsciente da vontade e as relações que ela causa entre mentes simpáticas fossem verdadeiramente conhecidas, o livre-arbítrio e a responsabilidade humanos talvez aparecessem sob uma luz diferente.

Semelhante a isso é o que tem sido chamado de "sugestão", que Paracelso chama de virtude da imaginação.

É a imaginação de uma mente dominando a mente de outra e criando nela uma imaginação correspondente, que é perfeitamente real para o paciente, porque é, na realidade, sua própria criação produzida inconscientemente por ele mesmo.

"O homem visível tem seu laboratório (o corpo físico), e o homem invisível está trabalhando nele.

O sol tem seus raios, que não podem ser apanhados com as mãos, mas que são, no entanto, fortes o suficiente para incendiar casas (se concentrados por uma lente).

A imaginação no homem é como um sol; ela age dentro de seu mundo onde quer que brilhe.

O homem é aquilo que pensa.

Se ele pensa fogo, ele está todo em chamas; se ele pensa guerra, ele está em guerra; pelo poder do pensamento sozinho, a imaginação torna-se um sol." ("De virtute imaginativa", V.)

A imaginação torna-se forte através da vontade, e a vontade torna-se poderosa através da imaginação.

Qualquer um desses dois é a vida do outro, e se eles se tornam um e idênticos, constituem um espírito vivo ao qual nada inferior oferece resistência.

Nos ignorantes e duvidosos, naqueles que não conhecem sua própria mente e duvidam do resultado do sucesso, consequentemente na maioria dos experimentos realizados com o propósito de gratificar uma curiosidade científica ou para algum outro propósito egoísta, a vontade e a imaginação não são uma só, mas agem em duas direções diferentes.

Se olharmos com um olho para o céu e com o outro para a terra, ou com um para a restauração da saúde do paciente e com o outro para os lucros, o conhecimento ou a fama que possamos receber disso nós mesmos, não há unidade de motivo ou propósito e, consequentemente, falta a condição principal para o sucesso.

Um médico que deseje empregar tais meios deveria, portanto, possuir uma nobreza de caráter tal que o colocasse acima de toda consideração egoísta, e estivesse apenas atento em cumprir seu dever segundo os mandamentos do amor divino.

Somente o que vem do coração chega ao coração; o poder que vem apenas do cérebro não tem efeitos mágicos, a menos que se una àquilo que vem do coração.

Assemelha-se ao frio e ineficaz luar, mas torna-se um poder forte por sua união com o brilho do sol que irradia do centro do coração.

"Assim, a imaginação torna-se um espírito, e seu veículo é o corpo, e nesse corpo são geradas as sementes que produzem frutos bons e maus." ("De virtute imaginativa", III.)

IV. — Spirituales.

Até esta classe, tivemos de lidar com forças que são, mesmo que não plenamente reconhecidas, ao menos admitidas pela ciência moderna; mas agora vamos falar da ação de um poder espiritual que, estando na posse consciente de apenas poucas pessoas, é quase inteiramente desconhecido.

Este é o poder que o espírito autoconsciente exerce sobre as forças não inteligentes da natureza, e que se enquadra na categoria de "Magia", um termo cujo significado é compreendido apenas por poucos.

"Magia" — de mag, sacerdote — significa o grande poder da sabedoria, um atributo do espírito autoconsciente, santo ou diabólico conforme o propósito ao qual é aplicado.

É, portanto, um poder que não pertence ao homem intelectual terrestre, mas ao homem espiritual, e pode até ser exercido por este último sem que o homem externo esteja ciente da fonte desse poder que age nele.

Por essa razão, vemos frequentemente que algum remédio se mostra muito eficaz nas mãos de um médico e totalmente inútil nas mãos de outro, igualmente erudito e intelectual.

Paracelso diz:

“Tais médicos são chamados *spirituales*, porque comandam os espíritos das ervas e raízes, e os forçam a libertar os enfermos que aprisionaram.

Assim, se um juiz coloca um prisioneiro no tronco, o juiz é o seu médico.

Tendo as chaves, pode abrir as fechaduras quando quiser.

A esta classe de médicos pertenceram Hipócrates e outros.” (“Paramir.”, Prólogo III.)

Tal afirmação parece incrível apenas enquanto nada se sabe sobre a constituição da matéria; mas se invocarmos a ciência oculta em nosso auxílio e percebermos que todas as coisas no mundo constituem certos estados de uma consciência universal, e que o fundamento de toda existência é o Espírito, torna-se não apenas compreensível, mas até evidente por si mesmo, que o espírito autoconsciente de uma pessoa pode mover e controlar os produtos da imaginação da natureza segundo sua própria ação neles, e podemos verdadeiramente dizer que, em tais casos, é o espírito do médico agindo por meio do espírito dos remédios que ele emprega, e nisto está a solução do segredo das curas maravilhosas de lepra, etc., efetuadas por Teofrasto Paracelso, que foram historicamente comprovadas, mas que são ininteligíveis se examinadas do ponto de vista da ciência material.

Uma investigação sobre este assunto nos levaria ao reino da magia branca e negra, da feitiçaria e da bruxaria, que já receberam atenção em ocasião anterior,* e cuja elucidação adicional seria prematura e totalmente impossível dentro do espaço limitado desta obra.

V. — Fideles.

A palavra “fidelidade” — de *fido*, confiar — significa fé, confiança, convicção que surge da percepção da verdade; conhecimento, tal como resulta da experiência, e a classe de médicos aqui referida inclui aqueles que, permanecendo fiéis à sua própria natureza divina, estão de posse de poderes divinos, tais como os que foram atribuídos a Cristo, aos apóstolos e aos santos.

"Eles restauram a saúde pelo poder da fé; pois aquele que crê na verdade torna-se curado pelo seu próprio poder." ("Paramir.", I., Prol. 3.)

A chamada "fé" é, na maioria dos casos, ilusória, e consiste meramente numa crença aceita ou fingida na correção de certas opiniões ou teorias.

A verdadeira fé do homem espiritual é um poder espiritual e divino vivo, resultante da certeza da percepção espiritual da lei eterna de causa e efeito.

Assim como estamos certamente convencidos de que o dia segue a noite, e a noite segue o dia, assim o médico-adepto, conhecendo as causas espirituais, morais e físicas das doenças, e apreciando o fluxo de sua evolução e progresso, conhece os efeitos criados por tais causas, e controla os meios para sua cura.

Ninguém pode destruir os efeitos causados pela lei da justiça divina.

Se ele impede a manifestação da lei divina de uma maneira, ela se manifestará de outra; tal é a ação da lei divina na natureza; mas aquele que vive na verdade e em quem a verdade divina se manifesta, é por isso elevado acima da natureza, pois ele entra naquilo de onde a natureza se originou.

Este poder que eleva e tudo salva é a verdadeira fé no homem, que pode curar todas as doenças.

* "Magic, white and black." (Londres, 1893.)

"Não existe nem boa nem má sorte; mas todo efeito se deve a uma causa.

Cada um recebe sua recompensa conforme o caminho pelo qual anda e age.

Deus fez todos os homens de uma única substância, e deu a todos o mesmo poder de viver, e todos os seres humanos são, portanto, iguais em Deus.

O sol e a chuva, o inverno e o verão, são os mesmos para todos; mas nem todos olham para o sol com os mesmos olhos.

Deus ama toda a humanidade igualmente; mas nem todos os homens amam a Deus com o mesmo tipo de amor.

Cada um dos filhos de Deus tem a mesma herança; mas um a esbanja, enquanto outro a preserva. Aquilo que Deus fez igual é tornado desigual pelas ações dos homens.

Cada homem, tomando sua cruz sobre si, encontra nela sua recompensa."

Cada infortúnio é uma fortuna, porque a bondade divina dá a cada um aquilo de que mais necessita para o seu futuro desenvolvimento; o sofrimento começa somente quando a insatisfação, resultado do não-reconhecimento da lei eterna, intervém. Quanto maior o obstáculo a combater, maior será a vitória." ("Philosophia," V.)

A arte da medicina não foi instituída com o propósito de desafiar as leis de Deus; mas com o propósito de auxiliar na restauração da harmonia, cuja perturbação causou a doença, e essa restauração ocorre através da obediência à lei.

Não existe mais um "perdão do pecado da doença" do que existe um perdão dos pecados morais.

A cura ocorre por meio de um reentrar em harmonia com as leis da natureza, que, afinal, são as leis de Deus manifestadas no reino natural.

Tampouco a saúde é restaurada ou os pecados são perdoados para que o homem, com menor temor do castigo, possa ir e pecar novamente; mas, após os efeitos das discórdias serem superados, ele obtém novamente o poder de pecar, para que tenha uma nova oportunidade de vencer a tentação e assim alcançar o domínio sobre si mesmo durante a sua vida nesta terra.

Aquele que é senhor de si mesmo é a sua própria lei e não está sujeito a qualquer desarmonia, e é isso que Paracelso expressou em seu lema favorito:

"Non sit alterius qui suus esse potest," que pode ser traduzido como: "Aquele que é senhor de si mesmo não pertence a nada além de si mesmo": pois esse Eu que conquista o "eu" é Deus, a Vontade da Sabedoria Divina, o Senhor sobre Tudo.

VI.

O MÉDICO DO FUTURO.

Não há dúvida de que o médico médio da era atual ocupa, no geral, uma posição muito mais elevada do que a ocupada pelo médico médio dos últimos séculos, quando a sabedoria dos antigos se tornara uma verdade esquecida, e a ciência moderna estava em sua infância.

Embora houvesse, mesmo durante a Idade Média, médicos de profunda percepção e possuidores de um conhecimento profundo dos mistérios da Natureza, que a profissão moderna poderá readquirir novamente por lento crescimento nos próximos séculos, a medicina popular daqueles tempos era uma mistura de ignorância e charlatanismo, cujos resquícios ainda são encontrados em nossos dias.

Dessa classe de médicos daqueles tempos, Paracelso diz: —

"Há muitos entre eles que não têm outro objetivo senão satisfazer sua ganância, de modo que alguém tem de se envergonhar de pertencer a uma profissão na qual ocorre tanta trapaça.

Eles especulam sobre a ignorância do povo, e aquele que consegue acumular a maior quantidade de dinheiro roubando-os é considerado o médico líder.

O amor mútuo e a caridade estão totalmente fora de moda, e a prática da medicina é rebaixada ao nível de um comércio comum, no qual o único objetivo é tirar o máximo de dinheiro que se possa obter, e aqueles que têm o dom da palavra e clamam mais alto conseguem enganar melhor a humanidade; pois enquanto o mundo estiver cheio de tolos, o maior tolo necessariamente será o governante, se apenas conseguir tornar-se notório." ("Defensio," V.)

A ciência da medicina não é culpada pela existência de tal estado de coisas; mas é um dos atributos da natureza animal humana, e deixamos ao observador inteligente julgar se essa natureza mudou muito desde a época de Paracelso, ou se ainda há um exército de charlatães, legalizados ou ilegais, que escreveram o lema "Mundus vult decipi, ergo decipiatur" em sua bandeira.

A ciência oficial indubitavelmente progrediu durante este século, mas aquisições meramente intelectuais não tornam necessariamente um homem mais sábio; os maiores canalhas têm sido homens de grande intelectualidade sem espiritualidade.

A sabedoria consiste no autorreconhecimento da verdade, e há muitos que estão "sempre aprendendo e nunca capazes de chegar ao conhecimento da verdade." *

Este conhecimento espiritual não pertence às faculdades da natureza intelectual inferior do homem, mas à sua natureza superior apenas; e é, portanto, de importância primordial que o desenvolvimento dessa natureza superior receba mais atenção do que recebe atualmente.

Uma mera melhoria na moral ou na ética é totalmente insuficiente para esse propósito.

A moralidade é o resultado do raciocínio; a Espiritualidade é o poder superior devido à manifestação da autoconsciência num plano mais elevado de existência, a iluminação da mente e do corpo do homem pelo poder e pela luz do espírito que preenche a alma.

Quando a espiritualidade se torna substancial no homem, somente então o seu conhecimento será de natureza substancial.

Essa substancialidade espiritual, ou, em outras palavras, a realização do mais alto ideal, é a obra da evolução gradual da humanidade; a qual, como foi dito pelos antigos alquimistas, "pode exigir para a sua realização milhares de eras; mas que também pode ser realizada num momento de tempo." Não é um produto do trabalho do homem, mas da descida da luz da verdade divina, a "graça de Deus" que virá a todos sempre que estiverem prontos para recebê-la. Não depende, portanto, da vontade ou da corrida de ninguém,* mas da ação do espírito do verdadeiro Eu divino, que está sempre se esforçando para se manifestar no homem.

Esse desenvolvimento interior não é consequência da aquisição de quaisquer novas teorias a respeito da natureza da constituição do homem; mas ocorre através da superação dos elementos inferiores da sua natureza, por meio dos quais a sua natureza superior pode se manifestar.

Mas, a fim de induzi-lo e habilitá-lo a empregar as suas faculdades inteligentemente para o propósito de conquistar a sua natureza inferior, ele deve aprender a conhecer teoricamente a sua própria constituição e a natureza dos poderes superiores que nele existem.

Esses são os elementos daquela ciência superior que o médico do futuro terá de aprender, primeiro teoricamente e depois na sua aplicação prática.

* I. Timóteo, III, 7. † Romanos, IX, 16.

Sem um reconhecimento espiritual dos princípios fundamentais da Natureza, buscar, de um ponto de vista superficial, a descoberta dos mistérios do ser é como um vagar infrutífero em meio à névoa.

Assemelha-se a uma busca, a partir da periferia de uma esfera de extensão desconhecida, por um centro cuja localidade é desconhecida; enquanto, se tivermos uma vez uma concepção correta da situação desse centro luminoso, sua luz atuará como uma estrela-guia em nossas peregrinações através das névoas que permeiam o reino dos fenômenos.

A ciência vem do homem; a sabedoria pertence a Deus.

Das ciências há muitas; a sabedoria é apenas uma.

As ciências devem ser cultivadas, mas a sabedoria não deve ser negligenciada, pois sem sabedoria nenhuma ciência verdadeira pode existir.

“Nada (de real) é de nós mesmos; não pertencemos a nós mesmos, mas pertencemos a Deus.

Portanto, devemos procurar encontrar em nós mesmos aquilo que é de Deus.

É d'Ele e não nosso.

Ele nos fez um corpo e nos deu vida e sabedoria em acréscimo a ele, e de tudo isso provêm todas as coisas.

Devemos aprender a conhecer o objetivo de nossa existência, e a razão pela qual o homem tem uma alma, e qual é a vontade de Deus quanto ao que ele deve fazer. Um estudo do homem (terreno) jamais revelará o segredo e o objetivo de sua existência, e a razão pela qual ele está no mundo; mas, se conhecermos uma vez o seu criador, conheceremos também as qualidades de seu filho; pois quem conhece o pai conhece também o filho, porque o filho herda a (natureza do) pai.

Cada homem recebe de Deus a mesma medida de verdade; mas nem todos reconhecem aquilo que receberam.

Quem dorme nada sabe; quem vive uma vida ociosa não conhece o poder que há nele e desperdiça o seu tempo.

O homem é tão grande e nobre que carrega a imagem de Deus e é herdeiro do reino de Deus.

Deus é a verdade suprema, e o diabo é a falsidade suprema.

A falsidade não pode conhecer a verdade.

Portanto, se o homem quer entrar na posse da verdade, deve conhecer a sabedoria que recebeu de Deus.

A astúcia pertence à natureza animal e, no que diz respeito a muitas aquisições científicas, os animais são superiores

ao homem; mas o entendimento é um despertar que não pode ser ensinado pelo homem.

Aquilo que uma pessoa aprende de outra nada é, a menos que haja um despertar.

Um professor não pode colocar conhecimento em seu aluno; ele só pode auxiliar no despertar do conhecimento que já está nele." ("De Fundamento Sapiential," I.)

Sabedoria é o reconhecimento de Deus.

Deus é a verdade; o conhecimento do próprio eu verdadeiro é a sabedoria divina.

Aquele que conhece seu verdadeiro eu conhece os poderes divinos pertencentes ao seu Deus.

"Deus é Sabedoria.

Ele não é um sábio ou um artista; ele é para si mesmo (absoluto), mas toda sabedoria e arte nascem dele; se conhecemos Deus, também conhecemos sua sabedoria e arte.

Em Deus tudo é um e não há partes.

Ele é a unidade, o uno em tudo.

Uma ciência que trata apenas de uma parte do todo, e perde de vista o todo ao qual pertence, é abortiva e não está de posse da verdade.

Aquele que vê em Deus nada além de verdade e justiça vê corretamente.

Toda sabedoria pertence a Deus; aquilo que não é de Deus é um bastardo.

Portanto, os reinos deste mundo se despedaçam, os sistemas científicos mudam, as leis feitas pelo homem perecem, mas o reconhecimento da verdade eterna é eterno.

Aquele que não é um bastardo da sabedoria, mas um verdadeiro filho do pai, está de posse da sabedoria.

Esta sabedoria é que vivamos uns para com os outros como vivem os anjos, e se vivermos como os anjos, eles se tornarão nosso próprio eu, de modo que nada nos separa deles senão a forma física, e assim como toda sabedoria e arte está com os anjos, assim estará conosco. Os anjos são os poderes através dos quais a vontade de Deus é executada.

Se a vontade de Deus é executada através de nós, nós mesmos seremos seus anjos.

A vontade de Deus não pode ser realizada através de nós, a menos que nós mesmos estejamos conforme a vontade de Deus.

Um tolo, um ignorante ou uma pessoa gananciosa não está conforme a vontade de Deus; como poderia essa vontade ser executada através dele? De pouco adianta acreditar que Salomão foi sábio, se nós mesmos não somos sábios.

Não nascemos com o propósito de viver na ignorância, mas para que sejamos como o pai, e para que o pai se reconheça no filho.

Havemos de ser senhores sobre a natureza, e não a natureza senhora sobre nós. Isto é dito do homem angélico (Buddhi) no qual viveremos e através do qual veremos que todo o nosso fazer e deixar de fazer, toda a nossa sabedoria e arte é de Deus." ("De Fundamento Sapientiae," II.)

Tudo isto, porém, será incompreensível e condenado como absurdo por aquilo que Paracelso justamente chama de "tolo científico", porque a sabedoria de que ele fala não é o intelecto do terrestre, mas o entendimento da mente celestial.

É esse raro poder de autoconhecimento espiritual que não pode ser ensinado em palavras, mas que é o resultado de um desdobramento interior das faculdades da alma.

O verdadeiro médico não é feito por escolas de aprendizado; ele se torna um através da luz da própria sabedoria divina.

"O homem tem dois entendimentos: o poder angélico e o animal da razão.

O entendimento angélico é eterno; é de Deus e permanece em Deus.

O intelecto animal também se origina de Deus e dentro de nós mesmos; mas não é eterno; pois o corpo animal morre e sua razão morre com ele. Nenhuma faculdade animal permanece após a morte; mas a morte é apenas um morrer daquilo que é animal e não daquilo que é eterno." ("De Fundamento Sapientiae," II.)

O termo "sabedoria" vem de vid, ver, e dom, um juízo; portanto, refere-se àquilo que é visto e compreendido, mas não a opiniões ou teorias derivadas de inferência, ou baseadas na afirmação de outros.

Não é o produto da observação e especulação, memória ou cálculo, mas é o resultado do crescimento interior, e todo crescimento vem da nutrição.

Assim como o intelecto é ampliado pelas aquisições intelectuais, a sabedoria divina no homem cresce ao absorver o nutriente que recebe da luz da Sabedoria Divina.

"Tudo é da natureza daquilo do qual nasce.

O animal no homem é nutrido por alimento animal, o anjo nele, pelo alimento dos anjos."

O espírito animal pertence à mente animal, e na mente animal do homem estão contidas todas as potencialidades que são separadamente possuídas pelas diferentes classes de animais.

Podeis desenvolver num homem o caráter de um cão, de um macaco, de uma serpente, ou de qualquer outro animal; pois o homem, em sua natureza animal, nada mais é do que um animal, e os animais são seus mestres e o superam em muitos aspectos; as aves no cantar, os peixes no nadar, etc.

Aquele que conhece muitas artes animais nem por isso é mais do que um animal ou uma coleção de diferentes animais; suas virtudes, não menos que seus vícios, pertencem à sua natureza animal.

Quer possua a fidelidade de um cão, a afeição matrimonial de uma pomba, a mansidão de uma ovelha, a esperteza de uma raposa, a habilidade de um castor, a brutalidade

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de um boi, a voracidade de um urso, a ganância de um lobo, etc., tudo isso pertence à sua natureza animal; mas há nele uma natureza superior, de caráter angélico, tal como os animais não possuem, e esse ser angélico requer aquele nutrimento que vem do alto e corresponde à sua natureza.

Do oculto espírito animal na natureza cresce o intelecto animal; da misteriosa ação do espírito angélico cresce o homem superterrestre; pois o homem tem um pai que é eterno, e para ele deverá viver.

Esse pai o colocou num corpo animal, não para que apenas nele habitasse e permanecesse, mas para que, vivendo nele, o superasse." ("De Fundam. Sap.," III.)

A mente animal, repleta de presunção e orgulho em suas possessões evanescentes, é inteiramente incapaz de conceber a natureza da mente angélica, ou de formar uma ideia da extensão de seus poderes; tampouco pode apreender o verdadeiro significado de uma linguagem que trata das coisas pertencentes a essa natureza superior, e acredita tratar-se apenas de ilusões e sonhos.

"A vaidade dos eruditos não vem do céu, mas eles a aprendem uns dos outros, e sobre essa base constroem a sua igreja." ("De Fund. Sap." Fragm.)

"Fé sem obras é morta", e, como estamos falando de coisas espirituais, a "obra" que a verdadeira fé exige é de caráter espiritual, significando ação espiritual, crescimento e desenvolvimento.

Uma fé sem substancialidade é meramente um sonho; uma ciência sem verdadeiro conhecimento é uma ilusão; um desejo meramente sentimental, sem qualquer exercício ativo para a obtenção da verdade, é inútil.

Uma pessoa que vive em tais sonhos e fantasias sobre ideais que nunca tenta realizar, sonha apenas com tesouros que não possui.

Ela é como alguém que desperdiça a vida estudando o mapa de um país no qual poderia viajar, mas nunca dá o primeiro passo.

Uma religião meramente ideal, que nunca é realizada e não nutre substancialmente a alma, é apenas imaginária e serve somente para entreter; uma ciência que não é praticamente empregada permanece uma teoria infrutífera, servindo, na melhor das hipóteses, para a gratificação da curiosidade animal.

A obra que a Fé exige é um contínuo Auto-Sacrifício, o que significa um contínuo esforço para superar a natureza animal e egoísta, e essa vitória do alto sobre o baixo não é realizada por aquilo que é baixo, mas só pode ocorrer através do poder do Amor divino, o que significa o reconhecimento da natureza superior no homem e sua aplicação prática na vida diária.

Este é o tipo de amor do qual o grande místico do século XVII, John Scheffler, fala quando diz:

"Fé sem amor, sim, faz o maior estrondo e alarido, O barril soa mais alto quando está vazio por dentro."

Sem essa aplicação prática, todas as virtudes são apenas sonhos e não podem crescer em poderes substanciais, nem ser empregadas como tais.

Shakespeare diz:

"É um bom clérigo aquele que segue suas próprias instruções." — "O Mercador de Veneza".

mas tais caracteres são, no tempo presente, muito raros, pois o mundo agora vive apenas em sonhos.

Existem "divinos" que nada sabem de qualquer divindade; médicos que nada sabem de medicina; "antropólogos" que nada sabem da natureza do homem; advogados que nada sabem de justiça; "humanitários" que empobrecem seus empregados; "cristãos" para quem Cristo é desconhecido.

Em todas as esferas da vida, o externo é confundido com o interno, a ilusão com a realidade, enquanto a realidade permanece não realizada e, portanto, desconhecida.

Uma ciência superficial só pode ocupar-se de causas e efeitos superficiais, por mais profundamente que entre nos detalhes de tais superficialidades.

Os poderes misteriosos da natureza, as forças inteligentes do homem, são atualmente quase inteiramente desconhecidos, e não há outro caminho para penetrar nos segredos mais profundos da natureza senão pelo desenvolvimento da natureza superior do homem.

Nos tempos antigos, o médico era considerado sagrado e pertencia ao sacerdócio — não a um sacerdócio nomeado apenas pelo homem, mas a um sacerdócio forte e real, ungido por Deus.

O médico do futuro será novamente um rei e um sacerdote; pois somente aquele que é não meramente nominal, mas verdadeiramente divino, pode estar de posse de poderes divinos.

Nele, a pirâmide triangular composta de ciência, religião e arte culminará em um único ponto, chamado Autoconhecimento ou Sabedoria Divina, onde o próprio homem se identifica com aquela luz e inteligência superiores — seu verdadeiro eu — do qual seu raio é veículo, imagem e símbolo de sua personalidade.

Há ainda um longo e árduo caminho a percorrer antes que a humanidade chegue a esse cume de perfeição, e a meta está tão distante que poucos conseguem vê-la, enquanto para muitos será um ideal aparentemente irrealizável e, como um pico de montanha perdido nas nuvens, inconcebível; mas o ideal existe, e as nuvens que nos impedem de vê-lo são nossos próprios erros e equívocos; cabe a nós mesmos dissipá-las.

Nós mesmos, pelo poder de tanto da percepção da verdade quanto já recebemos e que se tornou nossa, temos ao nosso alcance vencer as trevas e abrir nossas mentes à influência da luz.

Mas a luz em si não podemos criar ou fabricar; ela não é produto de nossos cálculos, influências e teorias.

A verdade é autoexistente, eterna; pode ser percebida, mas não pode ser feita.

A razão pela qual tão poucos conseguem realizar o significado do termo "autoconhecimento" é que o conhecimento obtido em nossas escolas é exclusivamente de um tipo artificial.

Lemos o que outros homens acreditaram e conheceram e imaginamos que o conhecemos. Enchemos nossas mentes com os pensamentos de outros e encontramos pouco tempo para pensar por nós mesmos.

Buscamos chegar a uma convicção da existência deste ou daquele objeto por meio de argumentos e inferências, enquanto nos recusamos a abrir os olhos e a ver nós mesmos a própria coisa sobre cuja existência argumentamos.

Assim, de um ponto de vista teosófico, pareceríamos a um ser superior como uma nação de pessoas de olhos fechados argumentando sobre a existência do sol e incapazes ou relutantes em olhá-lo por nós mesmos.

Há apenas um caminho para chegar ao verdadeiro autoconhecimento, e este é a Experiência.

Pela experiência externa alcançamos o conhecimento das circunstâncias externas; pela experiência dos poderes internos alcançamos o conhecimento interno deles.

Conhecer em realidade significa ser. Tornando-nos materiais, aprendemos as leis que regem a matéria; tornando-nos espirituais, aprendemos as leis do espírito; nossa vontade é livre para nos guiar em qualquer direção.

Não podemos conhecer a verdade de outra forma senão tornando-nos verdadeiros, nem a sabedoria exceto tornando-nos sábios.

Podemos conhecer qualquer poder externo ou interno, seja calor ou luz, amor ou justiça, apenas pelos efeitos que experimentamos de sua ação sobre ou dentro de nosso próprio eu.

A vida do homem em sua condição presente assemelha-se a um sonho, e os sonhos da humanidade como um todo, não menos que os do indivíduo, repetem-se uma e outra vez.

Eles vêm e vão e voltam novamente, aparecendo talvez sob formas modificadas, como nuvens flutuando no céu e assumindo diferentes contornos, mas representando as velhas ilusões que sempre retornam.

Enquanto acima delas, invisível e desconhecida, brilha a luz solar da verdade eterna e imutável, cuja presença pode ser sentida como os raios cálidos do sol penetrando as nuvens, mas que, para ser conhecida, requer ser vista.

O templo da natureza está aberto a todos os que são capazes de entrar; sua luz é livre para todos os que são capazes de ver; tudo é uma manifestação da verdade, mas requer a presença da verdade em nós mesmos para nos permitir percebê-la. O que nos impede de entrar no templo da natureza, de ver a luz e perceber a verdade, são as sombras que nós mesmos criamos.

O verdadeiro objetivo das luzes acesas pela ciência não é revelar a verdade — que não requer luz artificial para ser vista, e cuja própria luz é bastante suficiente para esse propósito — mas destruir as névoas que nos impedem de ver a verdade.

Ninguém pensaria em examinar o sol à luz de uma vela; mas a luz da vela pode guiar-nos através das passagens escuras do labirinto da matéria até a porta que se abre para a superfície, onde, depois que a luz do dia é vista, o auxílio artificial não é mais necessário.

Mas, assim como ao buscar nosso caminho através de um túnel o melhor guia é a luz que brilha de longe através da entrada, assim uma percepção da verdade no coração é a única estrela-guia confiável no labirinto de ilusões em constante mudança.

Todas as luzes científicas nas quais esta luz da verdade eterna não se reflete, por mais radiantes que sejam, são apenas tantos fogos-fátuos que desencaminham o viajante.

Todas as teorias e hipóteses científicas baseadas no não reconhecimento da constituição interna do homem e que negam sua origem superterrestre são fundadas numa concepção errônea da verdade.

Tais opiniões estão continuamente sujeitas a mudanças, e nenhuma nova teoria dessa espécie existe atualmente que não tenha existido antes sob alguma forma semelhante.

Mas a verdade em si é independente dessas opiniões; ela sempre existiu, e sempre houve alguns capazes de reconhecê-la, e outros que, não querendo ou não podendo vê-la, basearam seu conhecimento em concepções errôneas e crenças supersticiosas fundadas nas afirmações de outros homens.

A ciência médica moderna, com todos os seus recursos e aparatos modernos, apenas conseguiu elevar-se a um conhecimento mais detalhado de alguns fenômenos menos importantes no reino da matéria; enquanto um grande número de coisas muito mais importantes, que eram conhecidas pelos antigos, foram esquecidas.

Quanto ao poder da alma sobre o corpo, por mais tremendo que seja, quase nada se sabe; porque as almas daqueles que vivem inteiramente no reino das especulações elaboradas por seu cérebro estão adormecidas e inconscientes.

Uma alma inconsciente não pode exercer poder algum, assim como um corpo inconsciente; seus movimentos podem, no máximo, ser instintivos, por estarem privados da luz da inteligência.

É muito mais importante para o progresso da verdadeira ciência que a alma do homem desperte para o reconhecimento de sua própria natureza superior, do que os tesouros de uma ciência que lida com as ilusões da vida sejam enriquecidos por novas teorias nas quais não há reconhecimento do único fundamento da verdade.

Tudo o que uma teoria sólida ou um livro confiável pode fazer é deslocar uma teoria falsa que impede o homem de ver corretamente; mas a verdade em si não pode ser exibida ou revelada por nenhum homem nem por nenhuma teoria; ela só pode ser vista pelo olho do verdadeiro entendimento, quando se revela em sua própria luz.

Foi dito que não está ao alcance da ciência adentrar o reino dos númenos que subjazem a todos os fenômenos e são sua causa de manifestação; mas sem o reconhecimento do númeno do qual todos os fenômenos emanam, uma verdadeira ciência (do latim *scio*, saber) será tão impossível quanto um sistema de matemática que ignore a existência do número um, do qual todos os outros números se originam e sem o qual nenhum número existe.

A alma em nós é fundamentalmente idêntica ao Uno do qual todos os fenômenos se originam.

A alma que é pode conhecer aquilo que é, enquanto aquilo em nós que meramente parece ser pertence ao reino das aparências e com ele lida.

A aquisição dessa ciência superior exige, portanto, menos um esforço das faculdades especulativas do cérebro do que um despertar da alma; avança menos por uma evolução de pensamentos de vários tipos do que pelo desenvolvimento do homem interior que está pensando e causando a evolução dos pensamentos, pois se aquilo que é capaz de conhecer no homem não conhece a si mesmo, todos os pensamentos e ideias que habitam a esfera da mente humana não terão dono legítimo, mas existirão ali meramente como reflexos dos pensamentos de outros homens, reunidos em torno de uma ilusão chamada eu pessoal.

Quanto mais a mente analisa uma coisa e entra em seus mínimos detalhes, mais facilmente perde de vista o todo; quanto mais a atenção do homem é dividida em muitas partes, mais ele sai de sua própria unidade e se torna ele mesmo complicado.

Somente um espírito grande e forte pode permanecer habitando em sua própria autoconsciência e, como o sol, que brilha em muitas coisas sem ser absorvido por elas, olhar para os mínimos detalhes dos fenômenos sem perder de vista a verdade que inclui o todo.

As verdades mais simples são geralmente as mais difíceis de serem apreendidas pelos eruditos, porque a percepção de uma verdade simples requer uma mente simples.

No caleidoscópio de fenômenos sempre variáveis, a verdade subjacente não pode ser vista na superfície.

À medida que o intelecto se torna cada vez mais imerso na matéria, o olho do espírito se fecha; verdades que em tempos antigos eram evidentes por si mesmas foram agora esquecidas, e até mesmo o significado dos termos que significam poderes espirituais se perdeu na proporção em que a humanidade deixou de exercer esses poderes.

Devido à presunção de nossa era de egoísmo, que procura rebaixar as verdades espirituais à concepção científica de um racionalismo animal de visão estreita, em vez de elevar-se ao seu nível, o caráter da ciência popular moderna se manifesta na quantidade de astúcia com que se protegem interesses próprios ilusórios; a "fé", o poder que tudo salva do conhecimento espiritual, é tida por superstição; a "benevolência", loucura; o "amor" significa desejos egoístas; a "esperança" é agora cobiça; a "vida", a criação de um processo mecânico; a "alma", um termo sem significado; o "espírito", uma não-entidade; a "matéria", uma coisa da qual nada se sabe, etc.

Tudo isto terá sido escrito em vão, se não tivermos conseguido deixar claro que o progresso real no conhecimento da natureza humana só é possível por meio de um desenvolvimento superior da natureza interior do próprio médico.

Ninguém pode alcançar qualquer conhecimento real do estado superior do homem, a menos que o alcance por si mesmo, pela pureza de motivos e nobreza de caráter.

Somente reconhecendo seu corpo como um veículo para o desenvolvimento e manifestação de uma inteligência superior, ele poderá realizar o significado das palavras de Carlyle, que nos diz que o homem, em sua natureza mais íntima, é um ser divino, e que quem põe a mão sobre uma forma humana toca o céu.

A sabedoria deve ser o Mestre; a ciência, o servo.

A ciência é a serva da sabedoria; a sabedoria, a rainha.

A ciência é um produto da imaginação do homem; a sabedoria, o reconhecimento espiritual da verdade.

A ciência material é um produto do desejo essencialmente egoísta de conhecer; a sabedoria não reconhece separação de interesses; é o autorreconhecimento da verdade universal e eterna no homem.

A ciência, guiada pela sabedoria, pode adentrar os mais profundos mistérios do ser universal, entrando na Unidade do Todo; mas se a ciência tenta empregar a sabedoria para a gratificação da curiosidade ou de outros fins egoístas, ela se opõe à sabedoria e torna-se loucura.' Portanto, um lema favorito dos antigos Rosacruzes (dos quais Teofrasto G

Paracelso era um deles), mas que é compreendida por poucos, disse: "Eu nada sei, nada desejo, nada amo, nada desfruto no céu ou sobre a terra, senão a Jesus Cristo e a ele crucificado." Isso não significava que eles resolviam permanecer ignorantes, ou perder-se em devaneios piedosos e sonhos de eventos passados, pois Paracelso também disse: "Deus não deseja que sejamos ignorantes broncos e tolos estúpidos" — mas significava que eles haviam renunciado a toda a ilusão do eu, com todo o seu conhecimento, desejos, atrações e alegrias necessariamente ilusórios, e entrado na consciência daquela inteligência divina que, durante esta vida terrena, está como que crucificada no homem, e, ao entrar no estado espiritual superior, tornaram-se um com Ele, que é Ele mesmo a Verdade neles e a fonte de todo conhecimento no céu e sobre a terra.

Para sempre a verdade brilha no reino eterno da Luz,

mas o mundo da mente em que se move a nossa natureza terrestre

tem suas leis astrológicas, comparáveis àquelas que regem

o mundo visível e são conhecidas pela astronomia.

Assim como a

terra se afasta do sol no inverno e se aproxima

dele no verão, assim a evolução espiritual do homem tem seus

períodos de iluminação espiritual e de escuridão mental,

e há pequenos períodos dentro dos grandes períodos, assim como

aqui há dias e noites no ano.

O homem, seja

considerado como representando a humanidade como um todo, uma nação,

um povo, uma família, ou um indivíduo, assemelha-se a um planeta

girando em torno de seu próprio eixo entre os dois polos do

nascimento e da decadência.

O que está em cima volta-se para baixo

e o que está embaixo sobe novamente à superfície.

As verdades

desaparecem e são esquecidas apenas para reaparecerem novamente encarnadas

em formas novas e talvez aperfeiçoadas.

Civilizações, sistemas

de filosofia, religião e ciência vêm e vão e voltam

a vir; os absurdos da moda que foram o orgulho

de nossos pais e foram ridicularizados por nós tornam-se novamente os

objetos de admiração para nossos filhos, e a sabedoria esquecida

do passado será novamente a sabedoria das gerações futuras.

Assim, a roda giraria eternamente em círculo, não haveria progresso nem objetivo na vida, se a presença do eterno sol da Sabedoria Divina, agindo sobre o centro da roda, não a atraísse para si e, assim, no curso das eras, gradualmente transformasse o movimento circular em um giro espiral.

A cada volta da grande roda, seu eixo move-se imperceptivelmente um pouco mais perto da fonte de toda a Vida, embora cada período de evolução recomece ao pé da escada.

A escada pela qual estamos subindo talvez se assente em um terreno um pouco mais elevado do que aquele sobre o qual nossos ancestrais subiram, ou que nós mesmos subimos durante encarnações anteriores; mas há muitos degraus nela que nossos antepassados ascenderam e que teremos de alcançar.

A ciência da medicina não constitui exceção a esta regra geral, e podemos afirmar com segurança que o sistema de medicina de Teofrasto Paracelso, em seu reconhecimento das leis fundamentais da natureza, é de caráter tão elevado que caberá à ciência médica dos séculos vindouros crescer até sua compreensão, nem será este avanço na ciência possível sem um desenvolvimento correspondente, e este desenvolvimento será inaugurado por uma concepção correta da constituição do homem.

Enquanto a ciência médica moderna se degradou quase a um mero ofício, florescendo sob a proteção de seus interesses próprios, que recebe dos Governos, a medicina dos antigos era uma arte sagrada, que não exigia proteção artificial, porque, apoiando-se em seu próprio mérito, repousava sobre seu próprio sucesso.

Os médicos adeptos do passado realizavam curas que, sempre que excepcionalmente realizadas no presente, são chamadas de milagrosas, e sua possibilidade é negada pela maioria dos eruditos; porque não estão de posse dos poderes espirituais necessários para sua realização e, consequentemente, não podem conceber a existência de tais poderes.

Onde está o médico dos dias de hoje que conhece a extensão do poder da vontade espiritualmente despertada agindo a uma distância de milhares de quilômetros, ou o poder que o pensamento humano pode exercer sobre a imaginação da natureza? Onde está o professor de ciência que pode conscientemente transferir sua alma para um lugar distante pelo poder do pensamento e agir ali como se estivesse corporalmente presente? A prova de que essas coisas foram feitas e ainda são feitas está estabelecida tanto quanto qualquer outro fato que se apoie na observação e na lógica; no entanto, é popularmente considerado "científico" negar tais fatos e tratar com desprezo a teoria que os explica.

As forças mais sutis da natureza são tão completamente desconhecidas para as mentes grosseiramente materialistas que mencionar sua existência provoca uma gargalhada entre aqueles que, sendo ignorantes da extensão dos poderes ocultos na constituição do homem, exigem uma marreta para matar uma mosca e um canhão para atirar em um pardal.

Enquanto os olhos da ciência material estão voltados para baixo, buscando nas entranhas da matéria e encontrando apenas tesouros perecíveis, o idealista sentimental deleita-se em sonhos sem substância.

Estando habituado à contemplação objetiva, o idealista nada obtém de real; pois, mantendo-se distante do objeto de sua pesquisa com o propósito de vê-lo objetivamente, impede-se de identificar-se com esse objeto, e não pode ter qualquer autoconhecimento daquilo que ele próprio não é.

Tampouco o materialista, que nega a existência do Espírito no universo, pode ter qualquer conhecimento real, pois ignora aquilo que unicamente é real e lida apenas com as relações existentes entre os fenômenos que o espírito desconhecido produz.

O conhecimento real, tal como é o produto não do mero saber, mas do tornar-se, deveria ser a base de toda ciência verdadeira.

É isto que constitui aquela Theosophia, ou Autorreconhecimento da Verdade, que será a estrela-guia do médico no futuro, assim como o foi no passado.

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No Pronaos do Templo da Sabedoria.

Contendo a História dos Rosacruzes Verdadeiros e Falsos, com uma Introdução aos Mistérios da Filosofia Hermética; e um Apêndice sobre a Filosofia Yoga dos Rosacruzes e Alquimistas.

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O Autor, cuja grande obra 'Os Símbolos Secretos dos Rosacruzes' é tão bem conhecida dos Estudantes Herméticos, aqui apresenta uma breve história dos Rosacruzes e trata com certa extensão dos principais dogmas da Ordem; sobre a presente obra ele diz: 'as doutrinas aqui apresentadas contêm os mais profundos segredos, especialmente no que diz respeito à "ressurreição da carne"'. Elas demonstram que o corpo físico não é uma coisa nem inútil nem desprezível, e que a Matéria é tão necessária ao Espírito quanto o Espírito à Matéria.

Sem a presença de um corpo vivo nenhuma ressurreição poderia ocorrer; nem poderia o espírito ter qualquer existência relativa sem a existência da forma material.

. . . Somente da alma ressuscitada dentro do corpo de carne surge o espírito glorificado."

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PELA
CONDESSA CONSTANCE WACHTMEISTER

COM ALGUNS CAPÍTULOS ADICIONAIS DE OUTRAS MÃOS

Preço, Tecido 2s. enc. Brochura, 1s. enc. "Cheio de incidentes surpreendentes"

Preço 7s. enc.

Das Cavernas e Selvas do Hindustão

POR H. P. BLAVATSKY

Cheio de estranhos segredos da vida indiana.

SOCIEDADE EDITORA TEOSÓFICA,
7, DUKE STREET, ADELPHI, LONDRES, W.C.

Manuais Teosóficos.

Por ANNIE BESANT.

Preço, postagem grátis, 1/2 cada

Nº I.— OS SETE PRINCÍPIOS DO HOMEM.

Nº II.— REENCARNAÇÃO.

Nº III.— MORTE— E DEPOIS?

O Sepher Yetzirah:

O Livro da Formação e os Trinta e Dois Caminhos da Sabedoria.

Traduzido do Hebraico Antigo pelo Dr. W. Wynn Westcott, M.B. Tecido, 8vo, 2s. 6d. líquido.

Este tratado rabínico muito antigo é um remanescente curioso e instrutivo do aprendizado da era pré-cristã, e sempre possuiu um grande fascínio para estudantes do ocultismo.

Pela grande escola rabínica de Teosofia e Aprendizado Oculto, este pequeno tratado sempre foi considerado como contendo os princípios fundamentais da sabedoria arcaica.

O Rabino Jehoshua Ben Chananea, que morreu por volta de 72 d.C., declarou abertamente que realizou "milagres" por meio do "Sepher Yetzirah", e desafiou todo cético.

Este livro é considerado como fornecendo a chave para desvendar os misteriosos tratados sobre assuntos afins contidos no "Zohar", e é especialmente o volume do Mundo Yetzirático, o terceiro dos Mundos Cabalísticos de Emanação.

Tecido, 4to, preço 6s. 6d. Papel 5s.

SIMÃO, O MÁGICO.

UM ENSAIO.

Por G. R. S. MEAD.

Uma obra importante para todos os estudantes de Teosofia, Gnosticismo e Esoterismo comparativo.

Contém uma tradução exata das fontes originais de informação e é a única monografia sobre o assunto.

Impresso e encadernado com elegância.

SOCIEDADE TEOSÓFICA DE PUBLICAÇÃO,

7, DUKE STREET, ADELPHI, LONDRES, W.C

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